domingo, 25 de setembro de 2016

PROFESSOR: ACERTE O PASSO E BUSQUE A PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL COM BOAS PRÁTICAS PSICOMOTORAS.

PROFESSOR: ACERTE O PASSO E BUSQUE A PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL COM BOAS PRÁTICAS PSICOMOTORAS.

Por Denise Tinoco
 Professora de Educação Básica, Pedagoga, Especialista em Educação Infantil, Especialista em Psicopedagogia e Professora Universitária. Contato: Denise.tinoco@bol.com.br





               Todo professor comprometido com uma educação voltada para o desenvolvimento integral da criança sabe que a Psicomotricidade é base de tudo. Acrescenta-se a esta ideia uma constatação: o ensino básico já não tem mais a incumbência de assegurar aos seus estudantes, apenas a aprendizagem fundamental e conceitual, como leitura, escrita, conhecimentos sobre natureza e sociedade e atividades de cálculo. Textos legais e as diretrizes nacionais determinam que a ação educativa seja mais ampla e exigem, dos professores, conhecimentos diversos nas mais diferentes áreas, onde podemos destacar as atividades artísticas, físicas e de estímulos, até então negadas em contextos anteriores da educação.
                Aliando os pensamentos expostos ao saber erudito, aprende-se na acadêmica que criança que recebe uma educação psicomotora adequada e, se esta for aliada a manifestações de ao afeto, com certeza vai construir uma base sólida em seu desenvolvimento. No entanto, estes discursos não garantem boas práticas cotidianas nas escolas. Temos visto pelo país a fora, um número enorme de professores da educação infantil e primeiras séries do ensino fundamental desprezando conceitos, preceitos, procedimentos e atitudes primordiais para práticas psicomotoras de sucesso e reduzindo suas rotinas a exercícios estéreis de “preparação motora” ou “exercícios psicomotores”. 
             Muitos professores, ao serem indagados, fornecem algumas pistas sobre suas práticas que precisam ser levadas em conta nesta análise. Assim, as explicações podem estar ligadas à falta de formação adequada para os docentes, acrescida da pouca falta de valorização dos pais para com tais atividades dentro da rotina escolar. Além de desencontros entre a proposta pedagógica da escola e o fazer docente ou, ainda, nas turmas superlotadas. Todos estes aspectos são legítimos e merecem nossa atenção. No entanto, nada é mais triste do que uma escola sem espaço físico para os alunos se desenvolverem. A falta de espaço físico nas escolas brasileiras é algo que preocupa. Espaços adaptados, espaços pequenos, sem ventilação e escuros, nem sempre colaboram com a intenção propiciar o desenvolvimento infantil de forma integral, por meio da Psicomotricidade.
              Sabemos que problemas como estes afetam o cotidiano da educação, principalmente no quesito do desenvolvimento de práticas psicomotoras. Entretanto não invalidam a construção de práticas inovadoras e sistemáticas que trabalhem a psicomotricidade como mola propulsora do desenvolvimento intelectual da criança. Desta forma, o professor deve estar sempre atento às etapas do desenvolvimento do aluno, colocando-se na posição de facilitador da aprendizagem, mediador de diferentes possibilidades que permitam a ampliação das diferentes percepções e trabalhando com a exploração do esquema corporal, da lateralidade, do equilíbrio, dentre outros aspectos necessários ao desenvolvimento psicomotor global das crianças.
              É preciso entender, ainda, que a reorganização do espaço físico e a transformação destes em ambientes educativos são fundamentais para a aprendizagem. Assim, ações como retirar, temporariamente, as cadeiras e mesas da sala de aula, reorganizar móveis, fazer riscos no chão, amarrar cordões em portas e janelas, propiciar o contato com argila, com a água, bolinhas de sabão, atividades em pátios, quadras, desenvolvimento de jogos corporais e coletivos, dentre outras ações possibilitam o início de um pensar psicomotor consciente, por parte do professor, voltando suas ações de rotina para o desenvolvimento psicomotor, afetivo e intelectual da criança. É preciso ver com bons olhos o desenvolvimento da psicomotricidade e entender que isso irá oportunizar e auxiliar o desenvolvimento intelectual do aluno. Portanto, estimular atividades corporais, desde a educação infantil, auxiliam todos os alunos a vencerem os desafios da leitura e da escrita e do raciocínio lógico, mais adiante em sua vida acadêmica.

         Professor acertar o passo e buscar o desenvolvimento harmonioso entre o corpo, a mente e o espírito é um desafio cotidiano na prática docente. Por fim, todas estas questões devem fundamentar o seu pensar e fazer pedagógico na organização do planejamento, rotina e avaliação do processo ensino aprendizagem, tornando-o um eterno pesquisador e aprendiz sobre o assunto. Porém, nunca se esquecendo da singularidade infantil e da necessidade de um olhar compreensivo, afetuoso e sistemático sobre o saber fazer Psicomotor.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

domingo, 26 de junho de 2016

PUNIR OU EDUCAR?

PUNIR OU EDUCAR?
Por Denise Tinoco


Diariamente Profissionais da Educação e Famílias, são desafiados, em sua autoridade, por crianças e adolescentes que desobedecem regras (im)postas pela sociedade. Os atos mais comuns vão desde a desobediência as regras de convivência em sala de aula, passando pela falta de responsabilidade com materiais escolares e da instituição até bullying. Funcionários bradam que são cerceados por legislações que protegem a criança e o adolescente, por imposições sociais e até por ameaçadas de demissão. A falta de Estudo de Casos e direcionamentos institucionais acarretam insatisfações que paralisam a estrutura escolar. A família diz estar sobrecarregada com as pressões do mundo globalizado e delega sua parte a escola. Neste limbo social encontram-se milhares de crianças e jovens negligenciados que estão vivendo um caos diário, sem previsão de melhoras. Sabe-se que a forma como os pais interagem e educam seus filhos é crucial à promoção de comportamentos socialmente adequados ou não. Mas, se as regras, diálogos ou tolerância não ocorrem no seio familiar ou não se mostram suficiente para educar, faz-se necessário agir de forma educativa para que o caos não se instale nas escolas. Ações de indisciplina são debatidas em Conselhos de Classe, mas, pouco se conhece sobre a necessidade de inclusão de ações socioeducativas nas instituições escolares. Não se trata de propor punições ou regras militares, mas criar Códigos de Ética, regras cotidianas claras para o enfrentamento das dificuldades. Necessário falar que para verificar os limites das escolas vale consultar advogados, organizar palestras com Juízes, com Comissários da Infância e Juventude, conversas com as famílias, com a criançada ou adolescentes. Experiências com ações socioeducativas exitosas já são conhecidas no mundo inteiro e começam a ser implantadas no Brasil. Destaque para ações como acompanhar a Equipe de Manutenção nos reparos, para aquele que quebrou o banheiro, chutou porta ou rasgou o sofá da Sala dos Professores. Participar de oficinas educativas sobre Bullying, para os que praticam. Organizar hortas ou plantar flores, árvores, para àqueles que depredaram jardins escolares. Organizar livros na biblioteca, para aquele que riscou, rasgou ou sumiu com o livro emprestado. É proibido humilhar ou ferir legislações vigentes. Ações socioeducativas precisam de acompanhamento e diálogo, e, em muitos casos, podem substituir a famosa Suspensão. Que fique claro, somos pessoas em construção e que nos fortalecemos nas diferenças. Portanto, conflitos devem existir e serem permitidos nas instituições escolares. O que desejamos é que todos, em suas diferenças, inclusive professores e outros profissionais da educação, também sejam respeitados.

Artigo completo publicado na Revista particular- junho/2016


Punir ou educar?



Denise Tinoco: Punir ou educar?

A forma como pais interagem e educam seus filhos é crucial à promoção de comportamentos socialmente adequados ou não

O DIA
Rio - Todo dia profissionais da Educação e famílias são desafiados, em sua autoridade, por crianças e adolescentes que ignoram regras (im)postas pela sociedade. Os atos mais comuns vão desde a desobediência às regras de convivência em sala, passando pela falta de responsabilidade com materiais escolares até bullying. Funcionários bradam que são cerceados por legislações que protegem a criança, por imposições sociais e até por ameaças de demissão.
A falta de estudos de casos e direcionamentos institucionais acarreta insatisfações que paralisam a estrutura escolar. A família diz estar sobrecarregada com as pressões do mundo globalizado e delega sua parte à escola. Neste limbo social encontram-se milhares de crianças e jovens negligenciados que estão vivendo um caos diário. Sabe-se que a forma como os pais interagem e educam seus filhos é crucial à promoção de comportamentos socialmente adequados ou não.
Mas se as regras, diálogos ou tolerância não ocorrem no seio familiar ou não se mostram suficiente para educar, faz-se necessário agir de forma educativa para que o caos não se instale nas escolas. Ações de indisciplina são debatidas em Conselhos de Classe, mas pouco se conhece sobre a necessidade de inclusão de ações socioeducativas. Não se trata de propor punições ou regras militares, mas criar Códigos de Ética, regras cotidianas claras para o enfrentamento das dificuldades. Necessário falar que para verificar os limites vale consultar advogados, organizar palestras com juízes, com comissários da Infância e Juventude, conversas com as famílias, com os alunos.
Experiências com ações socioeducativas exitosas já são conhecidas no mundo inteiro e começam a ser implantadas no Brasil. Destaque para acompanhar a equipe de manutenção nos reparos para aquele que quebrou o banheiro; participar de oficinas educativas sobre bullying, para os que praticam; organizar hortas ou plantar flores, árvores, para àqueles que depredaram jardins; organizar livros na biblioteca, para aquele que riscou, rasgou ou sumiu com o livro emprestado. Ações socioeducativas precisam de acompanhamento e diálogo, e, em muitos casos, podem substituir a famosa suspensão. Que fique claro, somos pessoas em construção e que nos fortalecemos nas diferenças.

Denise Tinoco é especialista em psicopedagogia e Ed. Infantil


























Publicado em : http://odia.ig.com.br/opiniao/2016-06-15/denise-tinoco-punir-ou-educar.html

CRIATIVIDADE: UM DOM OU UMA HABILIDADE?

          Todo o início do ano os professores são convocados a planejar o trabalho de forma diferente. Devem superar o ano que findou, elaborar projetos, atividades e possibilidades ímpares de interação com as crianças e as famílias. Haja criatividade!  Mas, será que todos conseguem ser criativos?
            Para muitos, a criatividade é um dom. Se pensarmos desta forma, somente alguns foram agraciados por Deus, com este dom. Desta forma, a maioria das pessoas teriam que se acostumar com a falta de criatividade. A Ciência tem provado o contrario sobre esta questão. Para a Ciência, a Criatividade é considerada uma capacidade humana de reagir aos diferentes estímulos sociais, dando diferentes respostas para um questionamento ou desafio. Sob este prisma, torna-se uma habilidade possível para todos que se colocam a caminho e desejam expressar sentimentos, opiniões, tarefas diferenciadas, dentre outras questões.
             O exercício da criatividade demanda coragem! Não podemos temer o erro, pois sem ele, não ocorre à originalidade. Cabe explicitar que a criatividade pode ser aplicada em qualquer área da vida, sendo um elemento essencial no contexto do trabalho na docência da educação infantil. Num ambiente repleto de desafios cotidianos que exigem dos professores Raciocínio Lógico, rápido e criativo.
        Destaca-se que criatividade e a inovação são conceitos indissociáveis. A criatividade é essencial para pessoas que desejam inovar, inventar, criar coisas novas. Para tal, torna-se importante referir que a criatividade não necessariamente significar criar alguma coisa do zero, muitas vezes significa inovar, ou seja, melhorar alguma coisa já existente.
       Por isso, profissionais da Educação Infantil precisam saber observar o cotidiano, exercitar sua capacidade de ver algo novo, nas rotinas, no dia a dia, para reeditá-la de diferentes formas, com habilidade. Afinal, ser criativo é ser capaz de criar conexões incomuns, onde todos só percebem o comum.

Vamos exercitar a Criatividade?

1.  Após contar uma História, busque trabalhar de forma oral, outros finais para aquele tema. Esta atividade fará sucesso com crianças de 03 anos em diante.

2.  Brincar de viagens espaciais, onde as crianças sejam convidadas e descrever o que estão vendo, criarem personagens, ações... Esta atividade fará sucesso com crianças de 04 anos em diante.


3.  Desenhar sobre diferentes texturas, formatos e posições. Desenhar e pintar em pé, em azulejos, em paredes, no chão, em papeis enormes ou recortados de diferentes formas, m papéis toalhas, em lixas, em tecidos, em telhas... Esta atividade fará sucesso com crianças de 01 ano em diante.

4.  Criar lanchinhos com elementos da horta da escola, e diferentes recheios. Como ficará o sabor? Vamos experimentar almondegas com calda de frutas vermelhas? Gelatina de suco de couve com limão? Macarrões tingidos, com as massas feitas com beterraba ou cenoura? Vamos experimentar frutas secas nos sanduiches das crianças? Esta atividade fará sucesso com crianças de todas as idades.

5.  Inventar paródias de músicas do momento. Trocando palavras, trocando frases... Esta atividade fará sucesso com crianças de 04 anos em diante.


6.  Filmar a caminhada das crianças pelos espaços escolares e realizar novos e possíveis trajetos para se chegar ao mesmo espaço físico. Esta atividade fará sucesso com crianças de 03 anos em diante.

7.  Trazer, por meio de slides, do documentário, da música... Sons da natureza e trabalhar expressões corporais com as crianças. Esta atividade fará sucesso com crianças de 01 anos em diante.


8.  Envolve-los com exercícios de “faz de conta” ou de repetição, presentes em músicas e histórias. Esta atividade fará sucesso com crianças de 03 anos em diante.

9.  Com uma caixa mágica, repleta de perguntas malucas, ouvir as respostas das crianças e incentiva-las a, sempre, modificar sua percepção sobre a realidade. “ Se eu fosse um gigante?” “ Se eu tivesse uma grande piscina no jardim?” Se eu fosse dono de uma fábrica de palitos de picolés?”, “ Se eu pudesse ficar invisível, o que faria?” Esta atividade fará sucesso com crianças de 04 anos em diante.


10.             Exposição de arte com massinha ou argila. Pinturas em Camisas, nomes para a turma, bandeiras para o grupo. São atividades que podem fazer parte de diferentes projetos escolares. E, farão sucesso com crianças de 03 anos em diante.

Por Denise Tinoco

 Professora de Educação Básica e do Ensino Superior, Pedagoga, Especialista em Educação Infantil, Especialista em Psicopedagogia. Contato: denise.tinoco@bol.com.br

















Escola: Conquistando a confiança por meio da legalização do seu funcionamento.

            Toda escola para existir legalmente e resistir às pressões do cotidiano deve ser regularizada no seu Órgão normatizador. A legislação educacional vigente determina que União, Estados, Distrito Federal e Municípios, junto do Ministério da Educação, estabeleçam suas normas para funcionamento dos seus respectivos Sistemas de Ensino, cabendo aos seus Conselhos de Educação e Secretarias de Educação, supervisão sistemática, bem como, efetuar a fiscalização de irregularidades.
              Na prática cotidiana, essa regularização pressupõe alunos em escolas, com espaços físicos bem cuidados e monitorados, ambientes pedagógicos com professores qualificados e materiais didático-pedagógicos suficientes, currículo escolar apropriado à realidade do aluno, recursos disponíveis e mecanismos de controle social instituídos, com a participação dos pais e da comunidade na gestão escolar, em ambiente construído para o sucesso dos alunos.
           A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em especial, no Capítulo IV, nos seus Artigos nº 08 ao artigo nº 20, deixa claro que os Sistemas de Ensino devem funcionar de forma integrada, cabendo à União a coordenação da política nacional de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. Ao Conselho Nacional de Educação, dentre outras competências, deverá atuar junto ao Ensino Superior. Caberá aos Estados, por meio dos seus Conselhos de Educação, dentre outras tarefas, a função de normatizar e fiscalizar as etapas referentes ao ensino médio e profissionalizante, em alguns Estados, ainda cabe à responsabilidade de normatização da etapa de ensino fundamental. Os municípios, por meio dos seus Conselhos de Educação, dentre outras funções, trabalham com ação de normatização e fiscalização da etapa de educação infantil.
              Para funcionar, dentro da legalidade, os estabelecimentos precisam conhecer a legislação dos Conselhos de Educação, procurar as Secretarias de Educação, no âmbito de sua competência, para buscar informações e iniciar o processo de normatização.
               Ressalte-se que, as normas de legalização e o tempo de tramitação de um processo de regularização variam os Estados e Municípios. No entanto, todas atenderão as regras impostas pela legislação vigente.
               Destaca-se que tais regras servem para a rede privada e pública. Porém, em alguns Estados e Municípios as regras são bem claras para a rede privada, ficando a rede pública de ensino à mercê as políticas governamentais, nem sempre preocupadas com o bem estar comum da população. Com o advento do novo Plano Nacional de Educação, alinhado com os demais planos, espera-se que nos próximos dez anos, não só as políticas públicas sejam desenvolvidas, mas, as normatizações das diferentes redes públicas, ocorram em suas instâncias.             
             Percebe-se que existe necessidade de muita legalização da educação infantil, visto que são atribuídas pouca documentação de permanência e transferência da criança, o que facilita, dentre outras questões, o funcionamento na ilegalidade. Espalhadas em grandes e pequenos municípios, as creches e pré- escolas misturam desejos familiares de proteção com seus atuais objetivos legais: Educar e Cuidar. Muitos problemas que ocorrem durante ano letivo como: desempenho dos profissionais que cuidam e educam os pequenos, falta de profissionais de apoio, falta de Pedagogos, insatisfação com a Proposta Pedagógica ou com a falta desta. Ou ainda, falta de cuidado com piscinas e inexistência do profissional responsável, descoberta de inexistência de espaços essenciais ao desenvolvimento Infantil, como parquinhos, pátios, brinquedotecas, áreas verdes, dentre outros, enfraquecem a escola e trazem frustração para todo lado. Sem contar com as denúncias graves de maus tratos, negligência, ambientes sujos, sem segurança, sem acessibilidade, sem ventilação, superlotados que assombram o cotidiano das escolas e congestionam o Disque 100, dos Ministérios Públicos e Órgãos de fiscalização.
          Porém, encontramos escolas de ensino fundamental, médio e até universidades com funcionamentos irregulares. Nestas etapas, a falta de normatização impede, dentre outras questões, a emissão de documentos fundamentais, que, por vezes, dificultam a continuidade dos estudos dos estudantes, nas diferentes etapas da educação no Brasil ou exterior. Nas etapas do ensino fundamental, médio, profissionalizante e superior, os espaços devem atender a normas de acessibilidade, segurança, limpeza, iluminação, dentre outras obrigações previstas nos textos legais.
           Cabem críticas à constituição e fortalecimento dos Conselhos de Educação dentro dos Estados e Municípios. Precisam dotados de espaços, pessoal e instrumentos capazes de viabilizar o funcionamento sistemático, livres de pressões externas e fomentador das políticas públicas determinada por Lei. Com tantas e tão importantes atribuições, os Conselhos necessitam ter composições democráticas, é preciso haver consenso antes de qualquer decisão, inclusive mantendo diálogo permanente com diferentes órgãos que os ajudam nas práticas de normatização das redes públicas e privadas de ensino, como Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária, que possuem regras próprias para fiscalização e autorização de espaços escolares.
               Outra instância, em consonância com as demais, atua na defesa do direito à educação, trata-se do Centro de Apoio Operacional da Educação – CAO EDUCAÇÃO- Ministério Público. Em todo território nacional possui missão de assegurar o efetivo cumprimento das normas constitucionais e legais e, ainda, servir de suporte ao trabalho dos Promotores de Justiça com atribuição na área da educação. Seus objetivos perante as redes públicas e privadas são: dar apoio técnico-jurídico aos órgãos de execução com atribuição na área de educação; aproximar o Ministério Público dos demais órgãos ligados à área da educação, buscando a solução de conflitos e o desenvolvimento de projetos em comum; elaborar programas e projetos de relevância social na área da educação; zelar pela concretização dos direitos assegurados pela Constituição Federal e demais leis; ser reconhecido como órgão de referência para a comunidade em geral, para consultas, encaminhamentos e parcerias na área da educação.
                 No cotidiano destas relações, cabe às famílias, durante todo o ano letivo, mas em especial, no início de cada ano, saber mais sobre a escola, para além dos preços das mensalidades, do material escolar e uniformes. Ao conhecer o espaço deve solicitar a Portaria ou Resolução de funcionamento, buscar informações junto dos órgãos fiscalizadores de sua cidade e procurar saber sobre a legalidade desta ou daquela escola, do seu interesse e só efetuar matrículas em escolas legalizadas e que recebem fiscalização sistemática. Assim, sempre ao se deparar com escolas irregulares faz-se necessário oferecer denúncia aos órgãos fiscalizadores. Lembrem-se, uma boa educação começa desde cedo e necessita da participação de todos.
           
 * Denise Tinoco é Pedagoga, Especialista em Psicopedagogia, e Educação Infantil, Professora da Educação Básica e Universitária.
Publicado na Revista Particular em Abril/2016

domingo, 24 de abril de 2016

BRINCADEIRA DE ÍNDIO

Denise Tinoco*
*Denise Tinoco. Pedagoga. Professora de Educação Básica. Professora da Universidade Estácio de Sá. Especialista em Educação Infantil e em Psicopedagogia.  Contato pelo e-mail: denise.tinoco@bol.com.br

         Recentemente tive acesso, em diferentes mídias de comunicação, a uma notícia sobre a trajetória da vida acadêmica de um Índio no Brasil. A notícia informava que  a Universidade Federal de Santa Catarina formou em 2015, sua primeira turma composta só por índios(85), que se graduaram em Literatura Indígena do Sul da Mata Atlântica. O juramento repleto de emoção foi proferido por um dos alunos, que falou sobre luta pela terra, autonomia,  autodeterminação , alegria e crianças sadias. Só é leitura da reportagem causa emoção e transbordou no meu coração de alegria. Empatia fácil de explicar, pois moro em uma cidade, Campos dos Goytacazes-RJ, que outrora foi terra da Nação dos Índios Goitacá. "Terra de índio", sim! Há muito a Nação Goitacá esteve presente nestas terras, que no passado, fora repleta de grandes jacarés, rios e Pântanos. Hoje, dizimados, deixaram em nosso sangue heranças que estão nos traços físicos de alguns, na forma de viver de outros e na vontade de fazer valer, com força  e determinação de todos!
          Segundo historiadores, os índios da Nação Goitacá raspavam a cabeça para terem mais agilidade na água, eles eram ótimos nadadores, caçadores e corredores. Fisicamente possuíam pele mais clara, eram mais altos e robustos que os outros índios. Eles tinham hábito de dançar em ocasiões festivas, usando o jenipapo para pintura do corpo. Alimentavam-se de frutas, raízes, mel e principalmente, caça e pesca. Os Goitacás tinham o hábito de trocar coisas com os portugueses, recebiam quinquilharias, ou seja, coisas sem valor e davam suas riquezas, como exemplo a madeira da árvore do Pau Brasil. Eles também eram supersticiosos com a água, não bebendo de rios e lagoas, mas sim de cacimbas. Os portugueses brigaram com os índios pelas terras e com isso, eles foram dizimados, nesta região. Existe a ideia de que só tivemos por aqui, em Campos dos Goytacazes, uma tribo de única etnia, o que não é verdade. Tivemos nesta região que compreende o norte do Estado do Rio e uma pequena parte do Sul do Estado do Espírito Santo, a grande Nação Goitacá repleta de diversidade cultural. Conto tal história, pois, muitas vezes, estamos vivendo em cidades, totalmente urbanas, mas repletas de traços indígenas, seja no seu nome, nas palavras, de sentido linguístico regional, nos saberes e usos de ervas medicinais, ou, nas comidas e gostos populares, que atravessam gerações, sem que possam ser conhecidas e reconhecidas nas escolas, como cultura indígena.
            Baseando-me em diversas teorias regionais e nacionais, penso que estes e outros paradoxos precisam ser trabalhados na escola, desde a educação infantil. Conhecemos o quanto as histórias indígenas fomentam conversas, atividades e projetos pedagógicos nas escolas, na semana que antecede o dia 19 de abril, ou apenas no dia reservado, historicamente, para esta questão. Muitos professores já trabalham a história antiga com os pequeninos, contam sobre seus hábitos, falam sobre a floresta e vestimentas.         
          É sabido que a data, 19 de abril, foi escolhida buscando lembrar e fortalecer a data histórica de 1940, quando se deu o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O evento quase fracassou nos dias de abertura, mas teve sucesso no dia 19, assim que as lideranças indígenas deixaram a desconfiança e o medo de lado e apareceram, com seus pares, para discutir seus direitos, em um encontro emocionante.
             Na atualidade, existe uma infinidade de particularidades que ainda podem e devem ser trabalhados sobre a vida indígena, na atualidade. Necessário buscar imagens reais, que mostrem situações de pessoas que povoam vários espaços brasileiros, por vezes, sem trabalho, lutando contra a falta de oportunidades, doenças trazidas pelo desmatamento de sua mata e entradas clandestinas em suas terras e, diversas outras formas de  desrespeito estão no topo da lista das desigualdades brasileiras, assombrando as nações indígenas que habitam nossa terra.
            É preciso alertar, ainda, que no dia 19 de abril é comum vermos crianças fantasiadas de índios por vezes, com alusões estereotipadas, às tribos da América do Norte. Também encontramos durex coloridos imitando pinturas indígenas, dentre outras aberrações pedagógicas, que costumam povoar a escola de educação infantil, nesta época. Vale lembrar que a Lei 11.645/2008 inclui a cultura indígena no currículo escolar brasileiro. Desta forma, permite que professores organizem estratégias, atividades e projetos significativos para os pequenos e para a cultura escolar, durante o ano todo.
           Enfim, que o dia 19 de abril de 2016, seja mais um dia dedicado a e memória, a conscientização e disseminação das culturas indígenas. No entanto, que todos os dias, deste e dos anos, que virão, possam ser de índio. Fica o apelo por dias melhores, repletos de cantoria, festa, caça, estudo, pesquisa, prevenção da natureza e dos de povos, que desejam que todos os dias sejam de índio!

SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA ORGANIZAÇÃO DE PROJETOS SOBRE AS DIFERENTES CULTURAS INDÍGENAS:

1.   TEM FILME NA ESCOLA:
Utilização de Documentários, disponíveis em diferentes sites como: http://pibmirim.socioambiental.org/, que falam sobre o cotidiano de crianças indígenas das diferentes tribos brasileiras como: “Os saberes das crianças Yahomami”, “Tem índio no Futebol”, “Manual de Crianças Huni Kui”, dentre outros. Estes b documentários poderão aproximar as crianças nos seus, nem sempre, diferentes fazeres.
Daí é possível realizar outras atividades como:
·        Pesquisas de imagens,
·         Organização de painéis;
·        Conversas na Rodinha;
·        Livrinhos artesanais, que contem a história preferida das crianças.
·        Vivências com danças, brincadeiras, comidas.
     FAIXA ETÁRIA: 02 a 05 anos.
2.   OLIMPÍADAS DE ÍNDIO:
Que tal, no ano das Olimpíadas no Brasil, pesquisar, estudar a cultura de alguns povos indígenas e suas tradições com os jogos e realizar como culminância uma grande Olimpíada com as crianças brincando  e jogando algumas atividades da Olimpíadas dos índios, tendo como base os “I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas”, ocorrida no Brasil em 2015?
                   As crianças poderão brincar de:
* Cabo de força(cabo de guerra);

* Corrida de velocidade;
* Arremessos de objetos em marcas estabelecidas, de acordo com da idade e possibilidade das crianças;
* Futebol de campo;
* Travessia na água( natação em piscinas);
*Corrida de saco.

3.   PINTANDO ARTEFATOS COMO OS ÍNDIOS.
Após conhecer um pouco do trabalho de diferentes tribos com a argila e de posse de alguns objetos confeccionados com argila ( vasos, bandejas, suplá para mesas ou paredes solicitar que as crianças façam pinturas coloridas, partindo de referências indígenas.
FAIXA ETÁRIA: 02 a 05 anos.

4.   PINTURAS CORPORAIS:
Após ouvir histórias ou cantos indígenas cobrir partes do corpo com tintas especiais, feitas de urucum, carvão, farinha de mandioca e sair pela escola como uma tribo, bem especial.
OSB: Verificar, antes da atividade, crianças alérgicas aos materiais escolhidos para a pintura corporal. Após a brincadeira, organizar um gostoso banho de mangueira em espaço livre, na escola.
FAIXA ETÁRIA: 01 a 05 anos.


5.   PAJELANÇA NA ESCOLA
Tento como base canções de diferentes nações indígenas, pequenos rituais e preparo de comidas como bijú, peixe e raízes, preparar e vivenciar com todos os pequenos uma grande pajelança.

As crianças, de diferentes idades poderão:
·        Reproduzir um animado ritual da chuva;
·        Ressignificar uma dança indígena com as crianças.
·        Organizar uma mesa com comidas típicas, que serão apreciados por todos.
·        Entoar palavras indígenas que tenham significado para aquele grupo escolar.
·        Pintar partes do corpo;
·        Elaborar painéis com desenhos de índio, usando como referência o corpo de um dos coleguinhas, sobre um papel pardo.
·        Ouvir canções e cantigas dos povos indígenas.
·        Ouvir histórias de livros infantis sobre os índios.

FAIXA ETÁRIA: 06 MESES a 05 anos.