Mais uma publicação repleta de sugestões de atividades para o Dia dos pais! Vamos lá!
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
domingo, 26 de junho de 2016
PUNIR OU EDUCAR?
PUNIR
OU EDUCAR?
Por Denise Tinoco
Diariamente Profissionais da
Educação e Famílias, são desafiados, em sua autoridade, por crianças e adolescentes
que desobedecem regras (im)postas pela sociedade. Os atos mais comuns vão desde
a desobediência as regras de convivência em sala de aula, passando pela falta
de responsabilidade com materiais escolares e da instituição até bullying. Funcionários bradam que são
cerceados por legislações que protegem a criança e o adolescente, por
imposições sociais e até por ameaçadas de demissão. A falta de Estudo de Casos
e direcionamentos institucionais acarretam insatisfações que paralisam a
estrutura escolar. A família diz estar sobrecarregada com as pressões do mundo
globalizado e delega sua parte a escola. Neste limbo social encontram-se
milhares de crianças e jovens negligenciados que estão vivendo um caos diário,
sem previsão de melhoras. Sabe-se que a forma como os pais interagem e educam
seus filhos é crucial à promoção de comportamentos socialmente adequados ou não.
Mas, se as regras, diálogos ou tolerância não ocorrem no seio familiar ou não
se mostram suficiente para educar, faz-se necessário agir de forma educativa para
que o caos não se instale nas escolas. Ações de indisciplina são debatidas em Conselhos
de Classe, mas, pouco se conhece sobre a necessidade de inclusão de ações
socioeducativas nas instituições escolares. Não se trata de propor punições ou
regras militares, mas criar Códigos de Ética, regras cotidianas claras para o
enfrentamento das dificuldades. Necessário falar que para verificar os limites das
escolas vale consultar advogados, organizar palestras com Juízes, com Comissários
da Infância e Juventude, conversas com as famílias, com a criançada ou
adolescentes. Experiências com ações socioeducativas exitosas já são conhecidas
no mundo inteiro e começam a ser implantadas no Brasil. Destaque para ações
como acompanhar a Equipe de Manutenção nos reparos, para aquele que quebrou o
banheiro, chutou porta ou rasgou o sofá da Sala dos Professores. Participar de
oficinas educativas sobre Bullying,
para os que praticam. Organizar hortas ou plantar flores, árvores, para àqueles
que depredaram jardins escolares. Organizar livros na biblioteca, para aquele
que riscou, rasgou ou sumiu com o livro emprestado. É proibido humilhar ou
ferir legislações vigentes. Ações socioeducativas precisam de acompanhamento e
diálogo, e, em muitos casos, podem substituir a famosa Suspensão. Que fique
claro, somos pessoas em construção e que nos fortalecemos nas diferenças.
Portanto, conflitos devem existir e serem permitidos nas instituições
escolares. O que desejamos é que todos, em suas diferenças, inclusive
professores e outros profissionais da educação, também sejam respeitados.
Artigo completo publicado na Revista particular- junho/2016
Punir ou educar?
Denise Tinoco: Punir ou educar?
A forma como pais interagem e educam seus filhos é crucial à promoção de comportamentos socialmente adequados ou não
O DIA
Rio - Todo dia profissionais da Educação e famílias são desafiados, em sua autoridade, por crianças e adolescentes que ignoram regras (im)postas pela sociedade. Os atos mais comuns vão desde a desobediência às regras de convivência em sala, passando pela falta de responsabilidade com materiais escolares até bullying. Funcionários bradam que são cerceados por legislações que protegem a criança, por imposições sociais e até por ameaças de demissão.
A falta de estudos de casos e direcionamentos institucionais acarreta insatisfações que paralisam a estrutura escolar. A família diz estar sobrecarregada com as pressões do mundo globalizado e delega sua parte à escola. Neste limbo social encontram-se milhares de crianças e jovens negligenciados que estão vivendo um caos diário. Sabe-se que a forma como os pais interagem e educam seus filhos é crucial à promoção de comportamentos socialmente adequados ou não.
Mas se as regras, diálogos ou tolerância não ocorrem no seio familiar ou não se mostram suficiente para educar, faz-se necessário agir de forma educativa para que o caos não se instale nas escolas. Ações de indisciplina são debatidas em Conselhos de Classe, mas pouco se conhece sobre a necessidade de inclusão de ações socioeducativas. Não se trata de propor punições ou regras militares, mas criar Códigos de Ética, regras cotidianas claras para o enfrentamento das dificuldades. Necessário falar que para verificar os limites vale consultar advogados, organizar palestras com juízes, com comissários da Infância e Juventude, conversas com as famílias, com os alunos.
Experiências com ações socioeducativas exitosas já são conhecidas no mundo inteiro e começam a ser implantadas no Brasil. Destaque para acompanhar a equipe de manutenção nos reparos para aquele que quebrou o banheiro; participar de oficinas educativas sobre bullying, para os que praticam; organizar hortas ou plantar flores, árvores, para àqueles que depredaram jardins; organizar livros na biblioteca, para aquele que riscou, rasgou ou sumiu com o livro emprestado. Ações socioeducativas precisam de acompanhamento e diálogo, e, em muitos casos, podem substituir a famosa suspensão. Que fique claro, somos pessoas em construção e que nos fortalecemos nas diferenças.
Denise Tinoco é especialista em psicopedagogia e Ed. Infantil
Publicado em : http://odia.ig.com.br/opiniao/2016-06-15/denise-tinoco-punir-ou-educar.html
CRIATIVIDADE: UM DOM OU UMA HABILIDADE?
Todo o início do ano os
professores são convocados a planejar o trabalho de forma diferente. Devem
superar o ano que findou, elaborar projetos, atividades e possibilidades
ímpares de interação com as crianças e as famílias. Haja criatividade! Mas, será que todos conseguem ser criativos?
Para muitos, a criatividade é um
dom. Se pensarmos desta forma, somente alguns foram agraciados por Deus, com
este dom. Desta forma, a maioria das pessoas teriam que se acostumar com a
falta de criatividade. A Ciência tem provado o contrario sobre esta questão.
Para a Ciência, a Criatividade é considerada uma capacidade humana de reagir
aos diferentes estímulos sociais, dando diferentes respostas para um
questionamento ou desafio. Sob este prisma, torna-se uma habilidade possível
para todos que se colocam a caminho e desejam expressar sentimentos, opiniões, tarefas
diferenciadas, dentre outras questões.
O exercício da criatividade
demanda coragem! Não podemos temer o erro, pois sem ele, não ocorre à
originalidade. Cabe explicitar que a criatividade pode ser aplicada em qualquer
área da vida, sendo um elemento essencial no contexto do trabalho na docência
da educação infantil. Num ambiente repleto de desafios cotidianos que exigem
dos professores Raciocínio Lógico, rápido e criativo.
Destaca-se que criatividade e a
inovação são conceitos indissociáveis. A criatividade é essencial para pessoas
que desejam inovar, inventar, criar coisas novas. Para tal, torna-se importante
referir que a criatividade não necessariamente significar criar alguma coisa do
zero, muitas vezes significa inovar, ou seja, melhorar alguma coisa já
existente.
Por isso, profissionais da Educação
Infantil precisam saber observar o cotidiano, exercitar sua capacidade de ver
algo novo, nas rotinas, no dia a dia, para reeditá-la de diferentes formas, com
habilidade. Afinal, ser criativo é ser capaz de criar conexões incomuns, onde
todos só percebem o comum.
Vamos exercitar a
Criatividade?
1. Após
contar uma História, busque trabalhar de forma oral, outros finais para aquele
tema. Esta atividade fará sucesso com crianças de 03 anos em diante.
2. Brincar
de viagens espaciais, onde as crianças sejam convidadas e descrever o que estão
vendo, criarem personagens, ações... Esta atividade fará sucesso com crianças
de 04 anos em diante.
3. Desenhar
sobre diferentes texturas, formatos e posições. Desenhar e pintar em pé, em
azulejos, em paredes, no chão, em papeis enormes ou recortados de diferentes
formas, m papéis toalhas, em lixas, em tecidos, em telhas... Esta
atividade fará sucesso com crianças de 01 ano em diante.
4. Criar
lanchinhos com elementos da horta da escola, e diferentes recheios. Como ficará
o sabor? Vamos experimentar almondegas com calda de frutas vermelhas? Gelatina
de suco de couve com limão? Macarrões tingidos, com as massas feitas com
beterraba ou cenoura? Vamos experimentar frutas secas nos sanduiches das
crianças? Esta atividade fará sucesso com crianças de todas as idades.
5. Inventar
paródias de músicas do momento. Trocando palavras, trocando frases... Esta
atividade fará sucesso com crianças de 04 anos em diante.
6. Filmar
a caminhada das crianças pelos espaços escolares e realizar novos e possíveis
trajetos para se chegar ao mesmo espaço físico. Esta atividade fará sucesso com
crianças de 03 anos em diante.
7. Trazer,
por meio de slides, do documentário, da música... Sons da natureza e trabalhar
expressões corporais com as crianças. Esta atividade fará sucesso
com crianças de 01 anos em diante.
8. Envolve-los
com exercícios de “faz de conta” ou de repetição, presentes em músicas e
histórias. Esta atividade fará sucesso com crianças de 03 anos em diante.
9. Com
uma caixa mágica, repleta de perguntas malucas, ouvir as respostas das crianças
e incentiva-las a, sempre, modificar sua percepção sobre a realidade. “ Se eu
fosse um gigante?” “ Se eu tivesse uma grande piscina no jardim?” Se eu fosse
dono de uma fábrica de palitos de picolés?”, “ Se eu pudesse ficar invisível, o
que faria?” Esta atividade fará sucesso com crianças de 04 anos em diante.
10.
Exposição de arte com massinha ou argila.
Pinturas em Camisas, nomes para a turma, bandeiras para o grupo. São atividades
que podem fazer parte de diferentes projetos escolares. E, farão sucesso com
crianças de 03 anos em diante.
Por Denise Tinoco
Professora de
Educação Básica e do Ensino Superior, Pedagoga, Especialista em Educação
Infantil, Especialista em Psicopedagogia. Contato: denise.tinoco@bol.com.br
Escola: Conquistando a confiança por meio da legalização do seu funcionamento.
Toda escola para existir legalmente
e resistir às pressões do cotidiano deve ser regularizada no seu Órgão normatizador.
A legislação educacional vigente determina que União, Estados, Distrito Federal
e Municípios, junto do Ministério da Educação, estabeleçam suas normas para
funcionamento dos seus respectivos Sistemas de Ensino, cabendo aos seus
Conselhos de Educação e Secretarias de Educação, supervisão sistemática, bem
como, efetuar a fiscalização de irregularidades.
Na prática cotidiana, essa regularização
pressupõe alunos em escolas, com espaços físicos bem cuidados e monitorados, ambientes
pedagógicos com professores qualificados e materiais didático-pedagógicos suficientes,
currículo escolar apropriado à realidade do aluno, recursos disponíveis e
mecanismos de controle social instituídos, com a participação dos pais e da
comunidade na gestão escolar, em ambiente construído para o sucesso dos alunos.
A Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, em especial, no Capítulo IV, nos seus Artigos nº 08 ao
artigo nº 20, deixa claro que os Sistemas de Ensino devem funcionar de forma
integrada, cabendo à União a coordenação da política nacional de educação,
articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa,
redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. Ao
Conselho Nacional de Educação, dentre outras competências, deverá atuar junto
ao Ensino Superior. Caberá aos Estados, por meio dos seus Conselhos de
Educação, dentre outras tarefas, a função de normatizar e fiscalizar as etapas
referentes ao ensino médio e profissionalizante, em alguns Estados, ainda cabe à
responsabilidade de normatização da etapa de ensino fundamental. Os municípios,
por meio dos seus Conselhos de Educação, dentre outras funções, trabalham com ação
de normatização e fiscalização da etapa de educação infantil.
Para funcionar, dentro da legalidade, os
estabelecimentos precisam conhecer a legislação dos Conselhos de Educação, procurar
as Secretarias de Educação, no âmbito de sua competência, para buscar
informações e iniciar o processo de normatização.
Ressalte-se que, as normas de
legalização e o tempo de tramitação de um processo de regularização variam os
Estados e Municípios. No entanto, todas atenderão as regras impostas pela
legislação vigente.
Destaca-se que tais regras
servem para a rede privada e pública. Porém, em alguns Estados e Municípios as
regras são bem claras para a rede privada, ficando a rede pública de ensino à
mercê as políticas governamentais, nem sempre preocupadas com o bem estar comum
da população. Com o advento do novo Plano Nacional de Educação, alinhado com os
demais planos, espera-se que nos próximos dez anos, não só as políticas
públicas sejam desenvolvidas, mas, as normatizações das diferentes redes
públicas, ocorram em suas instâncias.
Percebe-se que existe necessidade de muita legalização da educação
infantil, visto que são atribuídas pouca documentação de permanência e
transferência da criança, o que facilita, dentre outras questões, o
funcionamento na ilegalidade. Espalhadas em grandes e pequenos municípios, as
creches e pré- escolas misturam desejos familiares de proteção com seus atuais
objetivos legais: Educar e Cuidar. Muitos problemas que ocorrem durante ano
letivo como: desempenho dos profissionais que cuidam e educam os pequenos,
falta de profissionais de apoio, falta de Pedagogos, insatisfação com a
Proposta Pedagógica ou com a falta desta. Ou ainda, falta de cuidado com
piscinas e inexistência do profissional responsável, descoberta de inexistência
de espaços essenciais ao desenvolvimento Infantil, como parquinhos, pátios,
brinquedotecas, áreas verdes, dentre outros, enfraquecem a escola e trazem
frustração para todo lado. Sem contar com as denúncias graves de maus tratos, negligência,
ambientes sujos, sem segurança, sem acessibilidade, sem ventilação,
superlotados que assombram o cotidiano das escolas e congestionam o Disque 100,
dos Ministérios Públicos e Órgãos de fiscalização.
Porém, encontramos escolas de ensino
fundamental, médio e até universidades com funcionamentos irregulares. Nestas
etapas, a falta de normatização impede, dentre outras questões, a emissão de
documentos fundamentais, que, por vezes, dificultam a continuidade dos estudos
dos estudantes, nas diferentes etapas da educação no Brasil ou exterior. Nas
etapas do ensino fundamental, médio, profissionalizante e superior, os espaços devem
atender a normas de acessibilidade, segurança, limpeza, iluminação, dentre
outras obrigações previstas nos textos legais.
Cabem críticas à constituição e
fortalecimento dos Conselhos de Educação dentro dos Estados e Municípios.
Precisam dotados de espaços, pessoal e instrumentos capazes de viabilizar o
funcionamento sistemático, livres de pressões externas e fomentador das
políticas públicas determinada por Lei. Com tantas e tão importantes
atribuições, os Conselhos necessitam ter composições democráticas, é preciso
haver consenso antes de qualquer decisão, inclusive mantendo diálogo permanente
com diferentes órgãos que os ajudam nas práticas de normatização das redes
públicas e privadas de ensino, como Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária,
que possuem regras próprias para fiscalização e autorização de espaços
escolares.
Outra instância, em consonância com as
demais, atua na defesa do direito à educação, trata-se do Centro de Apoio
Operacional da Educação – CAO EDUCAÇÃO- Ministério Público. Em todo território
nacional possui missão de assegurar o efetivo cumprimento das normas
constitucionais e legais e, ainda, servir de suporte ao trabalho dos Promotores
de Justiça com atribuição na área da educação. Seus objetivos perante as redes
públicas e privadas são: dar apoio técnico-jurídico aos órgãos de execução com
atribuição na área de educação; aproximar o Ministério Público dos demais
órgãos ligados à área da educação, buscando a solução de conflitos e o
desenvolvimento de projetos em comum; elaborar programas e projetos de
relevância social na área da educação; zelar pela concretização dos direitos
assegurados pela Constituição Federal e demais leis; ser reconhecido como órgão
de referência para a comunidade em geral, para consultas, encaminhamentos e
parcerias na área da educação.
No cotidiano destas relações, cabe às
famílias, durante todo o ano letivo, mas em especial, no início de cada ano,
saber mais sobre a escola, para além dos preços das mensalidades, do material
escolar e uniformes. Ao conhecer o espaço deve solicitar a Portaria ou
Resolução de funcionamento, buscar informações junto dos órgãos fiscalizadores
de sua cidade e procurar saber sobre a legalidade desta ou daquela escola, do
seu interesse e só efetuar matrículas em escolas legalizadas e que recebem
fiscalização sistemática. Assim, sempre ao se deparar com escolas irregulares
faz-se necessário oferecer denúncia aos órgãos fiscalizadores. Lembrem-se, uma
boa educação começa desde cedo e necessita da participação de todos.
*
Denise Tinoco é Pedagoga, Especialista em Psicopedagogia, e Educação Infantil,
Professora da Educação Básica e Universitária.
domingo, 24 de abril de 2016
BRINCADEIRA DE ÍNDIO
Denise Tinoco*
*Denise Tinoco. Pedagoga. Professora de Educação Básica.
Professora da Universidade Estácio de Sá. Especialista em Educação Infantil e
em Psicopedagogia. Contato pelo e-mail:
denise.tinoco@bol.com.br
Recentemente
tive acesso, em diferentes mídias de comunicação, a uma notícia sobre a
trajetória da vida acadêmica de um Índio no Brasil. A notícia informava
que a Universidade Federal de Santa
Catarina formou em 2015, sua primeira turma composta só por índios(85), que se
graduaram em Literatura Indígena do Sul da Mata Atlântica. O juramento repleto
de emoção foi proferido por um dos alunos, que falou sobre luta pela terra,
autonomia, autodeterminação , alegria e
crianças sadias. Só é leitura da reportagem causa emoção e transbordou no meu
coração de alegria. Empatia fácil de explicar, pois moro em uma cidade, Campos
dos Goytacazes-RJ, que outrora foi terra da Nação dos Índios Goitacá. "Terra
de índio", sim! Há muito a Nação Goitacá esteve presente nestas terras,
que no passado, fora repleta de grandes jacarés, rios e Pântanos. Hoje,
dizimados, deixaram em nosso sangue heranças que estão nos traços físicos de
alguns, na forma de viver de outros e na vontade de fazer valer, com força e determinação de todos!
Segundo historiadores, os índios da
Nação Goitacá raspavam a cabeça para terem mais agilidade na água, eles eram
ótimos nadadores, caçadores e corredores. Fisicamente possuíam pele mais clara,
eram mais altos e robustos que os outros índios. Eles tinham hábito de dançar
em ocasiões festivas, usando o jenipapo para pintura do corpo. Alimentavam-se
de frutas, raízes, mel e principalmente, caça e pesca. Os Goitacás tinham o
hábito de trocar coisas com os portugueses, recebiam quinquilharias, ou seja,
coisas sem valor e davam suas riquezas, como exemplo a madeira da árvore do Pau
Brasil. Eles também eram supersticiosos com a água, não bebendo de rios e
lagoas, mas sim de cacimbas. Os portugueses brigaram com os índios pelas terras
e com isso, eles foram dizimados, nesta região. Existe a ideia de que só
tivemos por aqui, em Campos dos Goytacazes, uma tribo de única etnia, o que não
é verdade. Tivemos nesta região que compreende o norte do Estado do Rio e uma
pequena parte do Sul do Estado do Espírito Santo, a grande Nação Goitacá
repleta de diversidade cultural. Conto tal história, pois, muitas vezes,
estamos vivendo em cidades, totalmente urbanas, mas repletas de traços
indígenas, seja no seu nome, nas palavras, de sentido linguístico regional, nos
saberes e usos de ervas medicinais, ou, nas comidas e gostos populares, que
atravessam gerações, sem que possam ser conhecidas e reconhecidas nas escolas,
como cultura indígena.
Baseando-me em diversas teorias
regionais e nacionais, penso que estes e outros paradoxos precisam ser
trabalhados na escola, desde a educação infantil. Conhecemos o quanto as
histórias indígenas fomentam conversas, atividades e projetos pedagógicos nas
escolas, na semana que antecede o dia 19 de abril, ou apenas no dia reservado,
historicamente, para esta questão. Muitos professores já trabalham a história
antiga com os pequeninos, contam sobre seus hábitos, falam sobre a floresta e
vestimentas.
É sabido que a data, 19 de abril, foi
escolhida buscando lembrar e fortalecer a data histórica de 1940, quando se deu
o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O evento quase fracassou nos
dias de abertura, mas teve sucesso no dia 19, assim que as lideranças indígenas
deixaram a desconfiança e o medo de lado e apareceram, com seus pares, para
discutir seus direitos, em um encontro emocionante.
Na atualidade, existe uma
infinidade de particularidades que ainda podem e devem ser trabalhados sobre a
vida indígena, na atualidade. Necessário buscar imagens reais, que mostrem
situações de pessoas que povoam vários espaços brasileiros, por vezes, sem
trabalho, lutando contra a falta de oportunidades, doenças trazidas pelo
desmatamento de sua mata e entradas clandestinas em suas terras e, diversas
outras formas de desrespeito estão no
topo da lista das desigualdades brasileiras, assombrando as nações indígenas
que habitam nossa terra.
É preciso alertar, ainda, que no dia
19 de abril é comum vermos crianças fantasiadas de índios por vezes, com
alusões estereotipadas, às tribos da América do Norte. Também encontramos durex
coloridos imitando pinturas indígenas, dentre outras aberrações pedagógicas,
que costumam povoar a escola de educação infantil, nesta época. Vale lembrar
que a Lei 11.645/2008 inclui a cultura indígena no currículo escolar
brasileiro. Desta forma, permite que professores organizem estratégias,
atividades e projetos significativos para os pequenos e para a cultura escolar,
durante o ano todo.
Enfim, que o dia 19 de abril de 2016,
seja mais um dia dedicado a e memória, a conscientização e disseminação das
culturas indígenas. No entanto, que todos os dias, deste e dos anos, que virão,
possam ser de índio. Fica o apelo por dias melhores, repletos de cantoria,
festa, caça, estudo, pesquisa, prevenção da natureza e dos de povos, que
desejam que todos os dias sejam de índio!
SUGESTÕES
DE ATIVIDADES PARA ORGANIZAÇÃO DE PROJETOS SOBRE AS DIFERENTES CULTURAS
INDÍGENAS:
1. TEM
FILME NA ESCOLA:
Utilização
de Documentários, disponíveis em diferentes sites como: http://pibmirim.socioambiental.org/,
que falam sobre o cotidiano de crianças indígenas das diferentes tribos
brasileiras como: “Os saberes das crianças Yahomami”, “Tem índio no Futebol”,
“Manual de Crianças Huni Kui”, dentre outros. Estes b documentários poderão
aproximar as crianças nos seus, nem sempre, diferentes fazeres.
Daí
é possível realizar outras atividades como:
·
Pesquisas de imagens,
·
Organização de painéis;
·
Conversas na Rodinha;
·
Livrinhos artesanais, que contem a história
preferida das crianças.
·
Vivências com danças, brincadeiras, comidas.
FAIXA ETÁRIA: 02 a 05 anos.
2. OLIMPÍADAS
DE ÍNDIO:
Que
tal, no ano das Olimpíadas no Brasil, pesquisar, estudar a cultura de alguns
povos indígenas e suas tradições com os jogos e realizar como culminância uma
grande Olimpíada com as crianças brincando
e jogando algumas atividades da Olimpíadas dos índios, tendo como base
os “I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas”, ocorrida no Brasil em 2015?
As crianças poderão brincar
de:
* Cabo
de força(cabo de guerra);
*
Corrida de velocidade;
*
Arremessos de objetos em marcas estabelecidas, de acordo com da idade e
possibilidade das crianças;
*
Futebol de campo;
*
Travessia na água( natação em piscinas);
*Corrida
de saco.
3. PINTANDO
ARTEFATOS COMO OS ÍNDIOS.
Após
conhecer um pouco do trabalho de diferentes tribos com a argila e de posse de
alguns objetos confeccionados com argila ( vasos, bandejas, suplá para mesas ou
paredes solicitar que as crianças façam pinturas coloridas, partindo de
referências indígenas.
FAIXA
ETÁRIA: 02 a 05 anos.
4. PINTURAS
CORPORAIS:
Após
ouvir histórias ou cantos indígenas cobrir partes do corpo com tintas
especiais, feitas de urucum, carvão, farinha de mandioca e sair pela escola
como uma tribo, bem especial.
OSB:
Verificar, antes da atividade, crianças alérgicas aos materiais escolhidos para
a pintura corporal. Após a brincadeira, organizar um gostoso banho de mangueira
em espaço livre, na escola.
FAIXA
ETÁRIA: 01 a 05 anos.
5. PAJELANÇA
NA ESCOLA
Tento
como base canções de diferentes nações indígenas, pequenos rituais e preparo de
comidas como bijú, peixe e raízes, preparar e vivenciar com todos os pequenos
uma grande pajelança.
As
crianças, de diferentes idades poderão:
·
Reproduzir um animado ritual da chuva;
·
Ressignificar uma dança indígena com as
crianças.
·
Organizar uma mesa com comidas típicas, que
serão apreciados por todos.
·
Entoar palavras indígenas que tenham
significado para aquele grupo escolar.
·
Pintar partes do corpo;
·
Elaborar painéis com desenhos de índio,
usando como referência o corpo de um dos coleguinhas, sobre um papel pardo.
·
Ouvir canções e cantigas dos povos indígenas.
·
Ouvir histórias de livros infantis sobre os
índios.
FAIXA
ETÁRIA: 06 MESES a 05 anos.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
AS FÉRIAS ACABARAM, E AGORA?
ENTREVISTA CONCEDIDA A REVISTA APPAI EDUCAR
Por
Denise Tinoco*
1.
Durante o período de férias a criança tem uma grande liberdade para
escolher as suas atividades. Ao voltar o ano letivo, muitas estranham a
“obrigação” de realizar exercícios pré - estabelecidos. Como preparar o aluno
para voltar à rotina?
R: O
período de férias é necessário para todos, pois o corpo pede descanso e novas
possibilidades de interação. No caso da criança, o período de férias, deve
servir para quebrar a rotina, servir como estímulo para novas brincadeiras e
descobertas, sedimentação dos conteúdos estudados no período anterior,
estreitamento laços familiares e período dedicado a experiências novas e
enriquecedoras. Proporcionar momentos de descanso, lazer e novas aprendizagens,
durante as férias dos filhos, torna-se mais uma função da família. Ocorre que
muitos pais se esquecem destas necessidades ou, por não terem período de férias
em conjunto com os filhos, deixam os dias de descanso sem monitoramento. Daí,
temos os filhos passando muitas horas diante da TV, jogando vídeos games ou nas
redes sociais. Isolados, crianças e adolescentes contemporâneos, correm o risco
de saírem das férias, mais estressados do que quando estavam no período letivo.
Relax total também pode trazer problemas no retorno escolar. Por isso, durante
as férias, a família deve reservar uma hora do dia para leituras, atividades de
concentração, jogos de tabuleiros e atividades em grupo. Já, nos dias mais
próximos da chegada do início ou reinício do ano letivo, torna-se essencial
organizar a rotina para que o corpo se acostume com os novos horários e
necessidades. Assim, estabelecer novo horário para dormir, horário para as
refeições e organização do espaço de estudo, são atividades fundamentais para
um início ou reinício letivo menos conflituoso para todos. Existem escolas que
organizam atividades de reforço on line
e também grupos de estudos semanais, como rodas de leitura, exibição de filmes
com debates, ciclo de palestras, que poderão ajudar na reestruturação da rotina
que antecede o retorno ao ano letivo.
2.
Sabendo que cada criança tem um ritmo, como o professor pode se
adaptar para atender as diferentes necessidades?
R:
Ritmos diferentes estão presentes, até entre irmãos. Ninguém é igual a ninguém.
Por isso, pais e professores precisam aceitar e organizar rotinas diversificadas
para que sejam respeitados as diferenças e todos possam efetivamente aprender!
Mas, na escola, no ensino formal, no fazer docente cotidiano, isso fica mais
evidenciado, pois nem sempre, aquilo que ensinamos é apreendido por todos da
mesma forma. Trabalhar focado nas teorias da aprendizagem pode nos ajudar a
entender melhor estas necessidades e buscar soluções viáveis para as questões.
Por exemplo, a Teoria de Vygotsky nos fala sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal
e o papel do mediador, do “par mais forte”, neste contexto. Desta forma para
que o aluno possa transpor tais obstáculos, por vezes invisíveis, mas reais, o
professor deverá ficar atento às potencialidades e necessidades discentes,
buscando atividades variadas e pares que possam, ao longo do ano letivo, favorecer
a transposição dos desafios. Assim, oferecer momentos para atividades
diversificadas é importante e deve ser considerada uma estratégia eficaz.
Trabalhos em grupos ou em duplas ajudam a quebrar a rotina e fortalecem a necessidade
de interação, entre os pares. Variar a arrumação das carteiras escolares é uma
atitude simples, que também traz benefícios. Atividades em laboratórios também
são fundamentais para criar um clima de ensino e pesquisa, que privilegiam os
diferentes ritmos. Visitas técnicas, palestras com profissionais de diferentes
áreas, exibição de filmes, gincanas, exposições de trabalhos, criação de Feiras
de Ciências, Festivais de Poesia e Música podem amenizar a rotina, favorecer
diferentes ritmos dos alunos e possibilitar diferentes formas de aprendizagem.
3.
Como a família pode contribuir para um melhor rendimento do aluno em
sala de aula?
R:
Embora a família seja uma instituição social milenar, percebe-la como integrante
do processo de aprendizagem escolar de crianças e jovens é um fenômeno novo,
que demanda aceitação, diálogo e muito estudo. Por um lado, as escolas
fantasiam com tipos de famílias e participação destas famílias, que não existem
ou, na maioria não existem dentro do contexto social contemporâneo. Isso faz
com que deixem de fora a maioria das pessoas que podem contribuir com o
processo de aprendizagem dos alunos, durante o período escolar. Por outro lado
às famílias, por vezes, sobrecarregadas com a rotina dura de sobrevivência, acomodam-se
e se omitem na tarefa de educar, ao lado da escola. As famílias podem ajudar no processo de
ensino aprendizagem escolar percebendo-se como co participantes desta jornada. Desta forma,
acompanhar atividades escolares dos filhos, participar efetivamente das
reuniões da escola, verificar agendas e solicitações escolares, criar rotina de
estudo para os filhos, fortalecer o respeito pelos mestres e espaço escolar
dentro de casa, conversar com professores sistematicamente na escola, conversar
com os filhos sobre os resultados escolares e estabelecendo metas bimestrais
podem melhorar e fortalecer seu papel
junto da escola, na construção de uma aprendizagem honesta e coletiva. Buscar
engajamento nos projetos sociais da escola, organizar grupos de estudo com
colegas de turma. Trabalhar a disciplina com quadros de horários são possibilidades
de interação com a escola, que certamente renderão bons frutos.
4.
Quais atividades os professores podem realizar à turma para promover
socialização?
R:
Muitos teóricos da educação são categóricos em afirmar que a socialização é um processo
mediante o qual uma pessoa adquire o conhecimento e a prontidão social,
necessários para assumir o papel de sujeito, na organização a qual pertence.
Sendo assim, é preciso que a escola, como instituição e o professor como agente
social deste espaço, percebam-se como facilitador do processo de socialização
dos alunos. Desta forma, promover atividades de socialização, torna-se essencial
para diferentes aprendizagens discentes. Vejamos alguns exemplos: Organizar
gincanas entre turmas, realizar visitas a museus, Planetários, empresas, ONG’s,
organizar ciclo de palestra, na escola. Criar intervalos culturais com os
alunos, elaborar festivais de poesias, eventos de tecnologia, mostras de
cinema, criação de campanhas solidárias, estão entre as atividades que podem
favorecer a socialização, pois, buscam estabelecer “link’s” com conteúdos estudados, ampliando a visão social destes
conteúdos no cotidiano dos alunos e oportunizando a ampliação da visão de mundo
entre eles.
5.
Quais são os resultados que o corpo discente recebe quando tem dos
professores um bom planejamento de socialização? E o que muda na rotina do
professor quando esses resultados são explanados?
R:
Educação de forma plena e eficaz é o que desejamos para nossos discentes e o
que buscamos em nossa profissão. Perceber que os alunos entenderam nossa
proposta, verificar que estão engajados em projetos sociais, que se preocupam
com o ambiente em que vivem e desejam mudanças sociais para todos é tal
especial como receber um prêmio por nossa atuação, durante o processo de ensino
aprendizagem daquele grupo. Para tal, é importante que a Escola elabore seu
Projeto Político Pedagógico de forma conjunta e honesta. Que trace uma proposta
pedagógica que seja capaz de inserir o novo no seu contexto carregado de
conteúdos e dilemas. Ao professor caberá a elaboração de Planos de Ensino
viáveis, conectados com a sociedade, dinâmico, capaz de suscitar a participação
de todos e de cada um. Voltar aos bancos escolares, buscar especializações,
conhecer lugares, ler mais, buscar ajuda do seu “par mais forte”, também será
necessário. Num mundo cada vez mais individualizado e competitivo, caminhar na
contramão, fazer nosso alunado se perceber parte desde mundão é tarefa docente
das mais complexas, que exigirá apoio institucional e familiar, nos moldes já
mencionados nesta entrevista. Se desejarmos fazer parte do novo, teremos que
planejar este momento, trabalhar por ele e mudar nossa maneira de ver e estar
no mundo e modificar nossas ações no cotidiano da escola. Afinal, como disse nossa eterna Elis
Regina, o novo sempre vem! Eu completo: Tomara que possamos fazer parte dele!
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