domingo, 26 de junho de 2016

PUNIR OU EDUCAR?

PUNIR OU EDUCAR?
Por Denise Tinoco


Diariamente Profissionais da Educação e Famílias, são desafiados, em sua autoridade, por crianças e adolescentes que desobedecem regras (im)postas pela sociedade. Os atos mais comuns vão desde a desobediência as regras de convivência em sala de aula, passando pela falta de responsabilidade com materiais escolares e da instituição até bullying. Funcionários bradam que são cerceados por legislações que protegem a criança e o adolescente, por imposições sociais e até por ameaçadas de demissão. A falta de Estudo de Casos e direcionamentos institucionais acarretam insatisfações que paralisam a estrutura escolar. A família diz estar sobrecarregada com as pressões do mundo globalizado e delega sua parte a escola. Neste limbo social encontram-se milhares de crianças e jovens negligenciados que estão vivendo um caos diário, sem previsão de melhoras. Sabe-se que a forma como os pais interagem e educam seus filhos é crucial à promoção de comportamentos socialmente adequados ou não. Mas, se as regras, diálogos ou tolerância não ocorrem no seio familiar ou não se mostram suficiente para educar, faz-se necessário agir de forma educativa para que o caos não se instale nas escolas. Ações de indisciplina são debatidas em Conselhos de Classe, mas, pouco se conhece sobre a necessidade de inclusão de ações socioeducativas nas instituições escolares. Não se trata de propor punições ou regras militares, mas criar Códigos de Ética, regras cotidianas claras para o enfrentamento das dificuldades. Necessário falar que para verificar os limites das escolas vale consultar advogados, organizar palestras com Juízes, com Comissários da Infância e Juventude, conversas com as famílias, com a criançada ou adolescentes. Experiências com ações socioeducativas exitosas já são conhecidas no mundo inteiro e começam a ser implantadas no Brasil. Destaque para ações como acompanhar a Equipe de Manutenção nos reparos, para aquele que quebrou o banheiro, chutou porta ou rasgou o sofá da Sala dos Professores. Participar de oficinas educativas sobre Bullying, para os que praticam. Organizar hortas ou plantar flores, árvores, para àqueles que depredaram jardins escolares. Organizar livros na biblioteca, para aquele que riscou, rasgou ou sumiu com o livro emprestado. É proibido humilhar ou ferir legislações vigentes. Ações socioeducativas precisam de acompanhamento e diálogo, e, em muitos casos, podem substituir a famosa Suspensão. Que fique claro, somos pessoas em construção e que nos fortalecemos nas diferenças. Portanto, conflitos devem existir e serem permitidos nas instituições escolares. O que desejamos é que todos, em suas diferenças, inclusive professores e outros profissionais da educação, também sejam respeitados.

Artigo completo publicado na Revista particular- junho/2016


Punir ou educar?



Denise Tinoco: Punir ou educar?

A forma como pais interagem e educam seus filhos é crucial à promoção de comportamentos socialmente adequados ou não

O DIA
Rio - Todo dia profissionais da Educação e famílias são desafiados, em sua autoridade, por crianças e adolescentes que ignoram regras (im)postas pela sociedade. Os atos mais comuns vão desde a desobediência às regras de convivência em sala, passando pela falta de responsabilidade com materiais escolares até bullying. Funcionários bradam que são cerceados por legislações que protegem a criança, por imposições sociais e até por ameaças de demissão.
A falta de estudos de casos e direcionamentos institucionais acarreta insatisfações que paralisam a estrutura escolar. A família diz estar sobrecarregada com as pressões do mundo globalizado e delega sua parte à escola. Neste limbo social encontram-se milhares de crianças e jovens negligenciados que estão vivendo um caos diário. Sabe-se que a forma como os pais interagem e educam seus filhos é crucial à promoção de comportamentos socialmente adequados ou não.
Mas se as regras, diálogos ou tolerância não ocorrem no seio familiar ou não se mostram suficiente para educar, faz-se necessário agir de forma educativa para que o caos não se instale nas escolas. Ações de indisciplina são debatidas em Conselhos de Classe, mas pouco se conhece sobre a necessidade de inclusão de ações socioeducativas. Não se trata de propor punições ou regras militares, mas criar Códigos de Ética, regras cotidianas claras para o enfrentamento das dificuldades. Necessário falar que para verificar os limites vale consultar advogados, organizar palestras com juízes, com comissários da Infância e Juventude, conversas com as famílias, com os alunos.
Experiências com ações socioeducativas exitosas já são conhecidas no mundo inteiro e começam a ser implantadas no Brasil. Destaque para acompanhar a equipe de manutenção nos reparos para aquele que quebrou o banheiro; participar de oficinas educativas sobre bullying, para os que praticam; organizar hortas ou plantar flores, árvores, para àqueles que depredaram jardins; organizar livros na biblioteca, para aquele que riscou, rasgou ou sumiu com o livro emprestado. Ações socioeducativas precisam de acompanhamento e diálogo, e, em muitos casos, podem substituir a famosa suspensão. Que fique claro, somos pessoas em construção e que nos fortalecemos nas diferenças.

Denise Tinoco é especialista em psicopedagogia e Ed. Infantil


























Publicado em : http://odia.ig.com.br/opiniao/2016-06-15/denise-tinoco-punir-ou-educar.html

CRIATIVIDADE: UM DOM OU UMA HABILIDADE?

          Todo o início do ano os professores são convocados a planejar o trabalho de forma diferente. Devem superar o ano que findou, elaborar projetos, atividades e possibilidades ímpares de interação com as crianças e as famílias. Haja criatividade!  Mas, será que todos conseguem ser criativos?
            Para muitos, a criatividade é um dom. Se pensarmos desta forma, somente alguns foram agraciados por Deus, com este dom. Desta forma, a maioria das pessoas teriam que se acostumar com a falta de criatividade. A Ciência tem provado o contrario sobre esta questão. Para a Ciência, a Criatividade é considerada uma capacidade humana de reagir aos diferentes estímulos sociais, dando diferentes respostas para um questionamento ou desafio. Sob este prisma, torna-se uma habilidade possível para todos que se colocam a caminho e desejam expressar sentimentos, opiniões, tarefas diferenciadas, dentre outras questões.
             O exercício da criatividade demanda coragem! Não podemos temer o erro, pois sem ele, não ocorre à originalidade. Cabe explicitar que a criatividade pode ser aplicada em qualquer área da vida, sendo um elemento essencial no contexto do trabalho na docência da educação infantil. Num ambiente repleto de desafios cotidianos que exigem dos professores Raciocínio Lógico, rápido e criativo.
        Destaca-se que criatividade e a inovação são conceitos indissociáveis. A criatividade é essencial para pessoas que desejam inovar, inventar, criar coisas novas. Para tal, torna-se importante referir que a criatividade não necessariamente significar criar alguma coisa do zero, muitas vezes significa inovar, ou seja, melhorar alguma coisa já existente.
       Por isso, profissionais da Educação Infantil precisam saber observar o cotidiano, exercitar sua capacidade de ver algo novo, nas rotinas, no dia a dia, para reeditá-la de diferentes formas, com habilidade. Afinal, ser criativo é ser capaz de criar conexões incomuns, onde todos só percebem o comum.

Vamos exercitar a Criatividade?

1.  Após contar uma História, busque trabalhar de forma oral, outros finais para aquele tema. Esta atividade fará sucesso com crianças de 03 anos em diante.

2.  Brincar de viagens espaciais, onde as crianças sejam convidadas e descrever o que estão vendo, criarem personagens, ações... Esta atividade fará sucesso com crianças de 04 anos em diante.


3.  Desenhar sobre diferentes texturas, formatos e posições. Desenhar e pintar em pé, em azulejos, em paredes, no chão, em papeis enormes ou recortados de diferentes formas, m papéis toalhas, em lixas, em tecidos, em telhas... Esta atividade fará sucesso com crianças de 01 ano em diante.

4.  Criar lanchinhos com elementos da horta da escola, e diferentes recheios. Como ficará o sabor? Vamos experimentar almondegas com calda de frutas vermelhas? Gelatina de suco de couve com limão? Macarrões tingidos, com as massas feitas com beterraba ou cenoura? Vamos experimentar frutas secas nos sanduiches das crianças? Esta atividade fará sucesso com crianças de todas as idades.

5.  Inventar paródias de músicas do momento. Trocando palavras, trocando frases... Esta atividade fará sucesso com crianças de 04 anos em diante.


6.  Filmar a caminhada das crianças pelos espaços escolares e realizar novos e possíveis trajetos para se chegar ao mesmo espaço físico. Esta atividade fará sucesso com crianças de 03 anos em diante.

7.  Trazer, por meio de slides, do documentário, da música... Sons da natureza e trabalhar expressões corporais com as crianças. Esta atividade fará sucesso com crianças de 01 anos em diante.


8.  Envolve-los com exercícios de “faz de conta” ou de repetição, presentes em músicas e histórias. Esta atividade fará sucesso com crianças de 03 anos em diante.

9.  Com uma caixa mágica, repleta de perguntas malucas, ouvir as respostas das crianças e incentiva-las a, sempre, modificar sua percepção sobre a realidade. “ Se eu fosse um gigante?” “ Se eu tivesse uma grande piscina no jardim?” Se eu fosse dono de uma fábrica de palitos de picolés?”, “ Se eu pudesse ficar invisível, o que faria?” Esta atividade fará sucesso com crianças de 04 anos em diante.


10.             Exposição de arte com massinha ou argila. Pinturas em Camisas, nomes para a turma, bandeiras para o grupo. São atividades que podem fazer parte de diferentes projetos escolares. E, farão sucesso com crianças de 03 anos em diante.

Por Denise Tinoco

 Professora de Educação Básica e do Ensino Superior, Pedagoga, Especialista em Educação Infantil, Especialista em Psicopedagogia. Contato: denise.tinoco@bol.com.br

















Escola: Conquistando a confiança por meio da legalização do seu funcionamento.

            Toda escola para existir legalmente e resistir às pressões do cotidiano deve ser regularizada no seu Órgão normatizador. A legislação educacional vigente determina que União, Estados, Distrito Federal e Municípios, junto do Ministério da Educação, estabeleçam suas normas para funcionamento dos seus respectivos Sistemas de Ensino, cabendo aos seus Conselhos de Educação e Secretarias de Educação, supervisão sistemática, bem como, efetuar a fiscalização de irregularidades.
              Na prática cotidiana, essa regularização pressupõe alunos em escolas, com espaços físicos bem cuidados e monitorados, ambientes pedagógicos com professores qualificados e materiais didático-pedagógicos suficientes, currículo escolar apropriado à realidade do aluno, recursos disponíveis e mecanismos de controle social instituídos, com a participação dos pais e da comunidade na gestão escolar, em ambiente construído para o sucesso dos alunos.
           A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em especial, no Capítulo IV, nos seus Artigos nº 08 ao artigo nº 20, deixa claro que os Sistemas de Ensino devem funcionar de forma integrada, cabendo à União a coordenação da política nacional de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. Ao Conselho Nacional de Educação, dentre outras competências, deverá atuar junto ao Ensino Superior. Caberá aos Estados, por meio dos seus Conselhos de Educação, dentre outras tarefas, a função de normatizar e fiscalizar as etapas referentes ao ensino médio e profissionalizante, em alguns Estados, ainda cabe à responsabilidade de normatização da etapa de ensino fundamental. Os municípios, por meio dos seus Conselhos de Educação, dentre outras funções, trabalham com ação de normatização e fiscalização da etapa de educação infantil.
              Para funcionar, dentro da legalidade, os estabelecimentos precisam conhecer a legislação dos Conselhos de Educação, procurar as Secretarias de Educação, no âmbito de sua competência, para buscar informações e iniciar o processo de normatização.
               Ressalte-se que, as normas de legalização e o tempo de tramitação de um processo de regularização variam os Estados e Municípios. No entanto, todas atenderão as regras impostas pela legislação vigente.
               Destaca-se que tais regras servem para a rede privada e pública. Porém, em alguns Estados e Municípios as regras são bem claras para a rede privada, ficando a rede pública de ensino à mercê as políticas governamentais, nem sempre preocupadas com o bem estar comum da população. Com o advento do novo Plano Nacional de Educação, alinhado com os demais planos, espera-se que nos próximos dez anos, não só as políticas públicas sejam desenvolvidas, mas, as normatizações das diferentes redes públicas, ocorram em suas instâncias.             
             Percebe-se que existe necessidade de muita legalização da educação infantil, visto que são atribuídas pouca documentação de permanência e transferência da criança, o que facilita, dentre outras questões, o funcionamento na ilegalidade. Espalhadas em grandes e pequenos municípios, as creches e pré- escolas misturam desejos familiares de proteção com seus atuais objetivos legais: Educar e Cuidar. Muitos problemas que ocorrem durante ano letivo como: desempenho dos profissionais que cuidam e educam os pequenos, falta de profissionais de apoio, falta de Pedagogos, insatisfação com a Proposta Pedagógica ou com a falta desta. Ou ainda, falta de cuidado com piscinas e inexistência do profissional responsável, descoberta de inexistência de espaços essenciais ao desenvolvimento Infantil, como parquinhos, pátios, brinquedotecas, áreas verdes, dentre outros, enfraquecem a escola e trazem frustração para todo lado. Sem contar com as denúncias graves de maus tratos, negligência, ambientes sujos, sem segurança, sem acessibilidade, sem ventilação, superlotados que assombram o cotidiano das escolas e congestionam o Disque 100, dos Ministérios Públicos e Órgãos de fiscalização.
          Porém, encontramos escolas de ensino fundamental, médio e até universidades com funcionamentos irregulares. Nestas etapas, a falta de normatização impede, dentre outras questões, a emissão de documentos fundamentais, que, por vezes, dificultam a continuidade dos estudos dos estudantes, nas diferentes etapas da educação no Brasil ou exterior. Nas etapas do ensino fundamental, médio, profissionalizante e superior, os espaços devem atender a normas de acessibilidade, segurança, limpeza, iluminação, dentre outras obrigações previstas nos textos legais.
           Cabem críticas à constituição e fortalecimento dos Conselhos de Educação dentro dos Estados e Municípios. Precisam dotados de espaços, pessoal e instrumentos capazes de viabilizar o funcionamento sistemático, livres de pressões externas e fomentador das políticas públicas determinada por Lei. Com tantas e tão importantes atribuições, os Conselhos necessitam ter composições democráticas, é preciso haver consenso antes de qualquer decisão, inclusive mantendo diálogo permanente com diferentes órgãos que os ajudam nas práticas de normatização das redes públicas e privadas de ensino, como Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária, que possuem regras próprias para fiscalização e autorização de espaços escolares.
               Outra instância, em consonância com as demais, atua na defesa do direito à educação, trata-se do Centro de Apoio Operacional da Educação – CAO EDUCAÇÃO- Ministério Público. Em todo território nacional possui missão de assegurar o efetivo cumprimento das normas constitucionais e legais e, ainda, servir de suporte ao trabalho dos Promotores de Justiça com atribuição na área da educação. Seus objetivos perante as redes públicas e privadas são: dar apoio técnico-jurídico aos órgãos de execução com atribuição na área de educação; aproximar o Ministério Público dos demais órgãos ligados à área da educação, buscando a solução de conflitos e o desenvolvimento de projetos em comum; elaborar programas e projetos de relevância social na área da educação; zelar pela concretização dos direitos assegurados pela Constituição Federal e demais leis; ser reconhecido como órgão de referência para a comunidade em geral, para consultas, encaminhamentos e parcerias na área da educação.
                 No cotidiano destas relações, cabe às famílias, durante todo o ano letivo, mas em especial, no início de cada ano, saber mais sobre a escola, para além dos preços das mensalidades, do material escolar e uniformes. Ao conhecer o espaço deve solicitar a Portaria ou Resolução de funcionamento, buscar informações junto dos órgãos fiscalizadores de sua cidade e procurar saber sobre a legalidade desta ou daquela escola, do seu interesse e só efetuar matrículas em escolas legalizadas e que recebem fiscalização sistemática. Assim, sempre ao se deparar com escolas irregulares faz-se necessário oferecer denúncia aos órgãos fiscalizadores. Lembrem-se, uma boa educação começa desde cedo e necessita da participação de todos.
           
 * Denise Tinoco é Pedagoga, Especialista em Psicopedagogia, e Educação Infantil, Professora da Educação Básica e Universitária.
Publicado na Revista Particular em Abril/2016

domingo, 24 de abril de 2016

BRINCADEIRA DE ÍNDIO

Denise Tinoco*
*Denise Tinoco. Pedagoga. Professora de Educação Básica. Professora da Universidade Estácio de Sá. Especialista em Educação Infantil e em Psicopedagogia.  Contato pelo e-mail: denise.tinoco@bol.com.br

         Recentemente tive acesso, em diferentes mídias de comunicação, a uma notícia sobre a trajetória da vida acadêmica de um Índio no Brasil. A notícia informava que  a Universidade Federal de Santa Catarina formou em 2015, sua primeira turma composta só por índios(85), que se graduaram em Literatura Indígena do Sul da Mata Atlântica. O juramento repleto de emoção foi proferido por um dos alunos, que falou sobre luta pela terra, autonomia,  autodeterminação , alegria e crianças sadias. Só é leitura da reportagem causa emoção e transbordou no meu coração de alegria. Empatia fácil de explicar, pois moro em uma cidade, Campos dos Goytacazes-RJ, que outrora foi terra da Nação dos Índios Goitacá. "Terra de índio", sim! Há muito a Nação Goitacá esteve presente nestas terras, que no passado, fora repleta de grandes jacarés, rios e Pântanos. Hoje, dizimados, deixaram em nosso sangue heranças que estão nos traços físicos de alguns, na forma de viver de outros e na vontade de fazer valer, com força  e determinação de todos!
          Segundo historiadores, os índios da Nação Goitacá raspavam a cabeça para terem mais agilidade na água, eles eram ótimos nadadores, caçadores e corredores. Fisicamente possuíam pele mais clara, eram mais altos e robustos que os outros índios. Eles tinham hábito de dançar em ocasiões festivas, usando o jenipapo para pintura do corpo. Alimentavam-se de frutas, raízes, mel e principalmente, caça e pesca. Os Goitacás tinham o hábito de trocar coisas com os portugueses, recebiam quinquilharias, ou seja, coisas sem valor e davam suas riquezas, como exemplo a madeira da árvore do Pau Brasil. Eles também eram supersticiosos com a água, não bebendo de rios e lagoas, mas sim de cacimbas. Os portugueses brigaram com os índios pelas terras e com isso, eles foram dizimados, nesta região. Existe a ideia de que só tivemos por aqui, em Campos dos Goytacazes, uma tribo de única etnia, o que não é verdade. Tivemos nesta região que compreende o norte do Estado do Rio e uma pequena parte do Sul do Estado do Espírito Santo, a grande Nação Goitacá repleta de diversidade cultural. Conto tal história, pois, muitas vezes, estamos vivendo em cidades, totalmente urbanas, mas repletas de traços indígenas, seja no seu nome, nas palavras, de sentido linguístico regional, nos saberes e usos de ervas medicinais, ou, nas comidas e gostos populares, que atravessam gerações, sem que possam ser conhecidas e reconhecidas nas escolas, como cultura indígena.
            Baseando-me em diversas teorias regionais e nacionais, penso que estes e outros paradoxos precisam ser trabalhados na escola, desde a educação infantil. Conhecemos o quanto as histórias indígenas fomentam conversas, atividades e projetos pedagógicos nas escolas, na semana que antecede o dia 19 de abril, ou apenas no dia reservado, historicamente, para esta questão. Muitos professores já trabalham a história antiga com os pequeninos, contam sobre seus hábitos, falam sobre a floresta e vestimentas.         
          É sabido que a data, 19 de abril, foi escolhida buscando lembrar e fortalecer a data histórica de 1940, quando se deu o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O evento quase fracassou nos dias de abertura, mas teve sucesso no dia 19, assim que as lideranças indígenas deixaram a desconfiança e o medo de lado e apareceram, com seus pares, para discutir seus direitos, em um encontro emocionante.
             Na atualidade, existe uma infinidade de particularidades que ainda podem e devem ser trabalhados sobre a vida indígena, na atualidade. Necessário buscar imagens reais, que mostrem situações de pessoas que povoam vários espaços brasileiros, por vezes, sem trabalho, lutando contra a falta de oportunidades, doenças trazidas pelo desmatamento de sua mata e entradas clandestinas em suas terras e, diversas outras formas de  desrespeito estão no topo da lista das desigualdades brasileiras, assombrando as nações indígenas que habitam nossa terra.
            É preciso alertar, ainda, que no dia 19 de abril é comum vermos crianças fantasiadas de índios por vezes, com alusões estereotipadas, às tribos da América do Norte. Também encontramos durex coloridos imitando pinturas indígenas, dentre outras aberrações pedagógicas, que costumam povoar a escola de educação infantil, nesta época. Vale lembrar que a Lei 11.645/2008 inclui a cultura indígena no currículo escolar brasileiro. Desta forma, permite que professores organizem estratégias, atividades e projetos significativos para os pequenos e para a cultura escolar, durante o ano todo.
           Enfim, que o dia 19 de abril de 2016, seja mais um dia dedicado a e memória, a conscientização e disseminação das culturas indígenas. No entanto, que todos os dias, deste e dos anos, que virão, possam ser de índio. Fica o apelo por dias melhores, repletos de cantoria, festa, caça, estudo, pesquisa, prevenção da natureza e dos de povos, que desejam que todos os dias sejam de índio!

SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA ORGANIZAÇÃO DE PROJETOS SOBRE AS DIFERENTES CULTURAS INDÍGENAS:

1.   TEM FILME NA ESCOLA:
Utilização de Documentários, disponíveis em diferentes sites como: http://pibmirim.socioambiental.org/, que falam sobre o cotidiano de crianças indígenas das diferentes tribos brasileiras como: “Os saberes das crianças Yahomami”, “Tem índio no Futebol”, “Manual de Crianças Huni Kui”, dentre outros. Estes b documentários poderão aproximar as crianças nos seus, nem sempre, diferentes fazeres.
Daí é possível realizar outras atividades como:
·        Pesquisas de imagens,
·         Organização de painéis;
·        Conversas na Rodinha;
·        Livrinhos artesanais, que contem a história preferida das crianças.
·        Vivências com danças, brincadeiras, comidas.
     FAIXA ETÁRIA: 02 a 05 anos.
2.   OLIMPÍADAS DE ÍNDIO:
Que tal, no ano das Olimpíadas no Brasil, pesquisar, estudar a cultura de alguns povos indígenas e suas tradições com os jogos e realizar como culminância uma grande Olimpíada com as crianças brincando  e jogando algumas atividades da Olimpíadas dos índios, tendo como base os “I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas”, ocorrida no Brasil em 2015?
                   As crianças poderão brincar de:
* Cabo de força(cabo de guerra);

* Corrida de velocidade;
* Arremessos de objetos em marcas estabelecidas, de acordo com da idade e possibilidade das crianças;
* Futebol de campo;
* Travessia na água( natação em piscinas);
*Corrida de saco.

3.   PINTANDO ARTEFATOS COMO OS ÍNDIOS.
Após conhecer um pouco do trabalho de diferentes tribos com a argila e de posse de alguns objetos confeccionados com argila ( vasos, bandejas, suplá para mesas ou paredes solicitar que as crianças façam pinturas coloridas, partindo de referências indígenas.
FAIXA ETÁRIA: 02 a 05 anos.

4.   PINTURAS CORPORAIS:
Após ouvir histórias ou cantos indígenas cobrir partes do corpo com tintas especiais, feitas de urucum, carvão, farinha de mandioca e sair pela escola como uma tribo, bem especial.
OSB: Verificar, antes da atividade, crianças alérgicas aos materiais escolhidos para a pintura corporal. Após a brincadeira, organizar um gostoso banho de mangueira em espaço livre, na escola.
FAIXA ETÁRIA: 01 a 05 anos.


5.   PAJELANÇA NA ESCOLA
Tento como base canções de diferentes nações indígenas, pequenos rituais e preparo de comidas como bijú, peixe e raízes, preparar e vivenciar com todos os pequenos uma grande pajelança.

As crianças, de diferentes idades poderão:
·        Reproduzir um animado ritual da chuva;
·        Ressignificar uma dança indígena com as crianças.
·        Organizar uma mesa com comidas típicas, que serão apreciados por todos.
·        Entoar palavras indígenas que tenham significado para aquele grupo escolar.
·        Pintar partes do corpo;
·        Elaborar painéis com desenhos de índio, usando como referência o corpo de um dos coleguinhas, sobre um papel pardo.
·        Ouvir canções e cantigas dos povos indígenas.
·        Ouvir histórias de livros infantis sobre os índios.

FAIXA ETÁRIA: 06 MESES a 05 anos.




segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

AS FÉRIAS ACABARAM, E AGORA?

ENTREVISTA CONCEDIDA A REVISTA APPAI EDUCAR

                                                                         Por Denise Tinoco*


1.    Durante o período de férias a criança tem uma grande liberdade para escolher as suas atividades. Ao voltar o ano letivo, muitas estranham a “obrigação” de realizar exercícios pré - estabelecidos. Como preparar o aluno para voltar à rotina?

R: O período de férias é necessário para todos, pois o corpo pede descanso e novas possibilidades de interação. No caso da criança, o período de férias, deve servir para quebrar a rotina, servir como estímulo para novas brincadeiras e descobertas, sedimentação dos conteúdos estudados no período anterior, estreitamento laços familiares e período dedicado a experiências novas e enriquecedoras. Proporcionar momentos de descanso, lazer e novas aprendizagens, durante as férias dos filhos, torna-se mais uma função da família. Ocorre que muitos pais se esquecem destas necessidades ou, por não terem período de férias em conjunto com os filhos, deixam os dias de descanso sem monitoramento. Daí, temos os filhos passando muitas horas diante da TV, jogando vídeos games ou nas redes sociais. Isolados, crianças e adolescentes contemporâneos, correm o risco de saírem das férias, mais estressados do que quando estavam no período letivo. Relax total também pode trazer problemas no retorno escolar. Por isso, durante as férias, a família deve reservar uma hora do dia para leituras, atividades de concentração, jogos de tabuleiros e atividades em grupo. Já, nos dias mais próximos da chegada do início ou reinício do ano letivo, torna-se essencial organizar a rotina para que o corpo se acostume com os novos horários e necessidades. Assim, estabelecer novo horário para dormir, horário para as refeições e organização do espaço de estudo, são atividades fundamentais para um início ou reinício letivo menos conflituoso para todos. Existem escolas que organizam atividades de reforço on line e também grupos de estudos semanais, como rodas de leitura, exibição de filmes com debates, ciclo de palestras, que poderão ajudar na reestruturação da rotina que antecede o retorno ao ano letivo.

2.    Sabendo que cada criança tem um ritmo, como o professor pode se adaptar para atender as diferentes necessidades?

R: Ritmos diferentes estão presentes, até entre irmãos. Ninguém é igual a ninguém. Por isso, pais e professores precisam aceitar e organizar rotinas diversificadas para que sejam respeitados as diferenças e todos possam efetivamente aprender! Mas, na escola, no ensino formal, no fazer docente cotidiano, isso fica mais evidenciado, pois nem sempre, aquilo que ensinamos é apreendido por todos da mesma forma. Trabalhar focado nas teorias da aprendizagem pode nos ajudar a entender melhor estas necessidades e buscar soluções viáveis para as questões. Por exemplo, a Teoria de Vygotsky nos fala sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal e o papel do mediador, do “par mais forte”, neste contexto. Desta forma para que o aluno possa transpor tais obstáculos, por vezes invisíveis, mas reais, o professor deverá ficar atento às potencialidades e necessidades discentes, buscando atividades variadas e pares que possam, ao longo do ano letivo, favorecer a transposição dos desafios. Assim, oferecer momentos para atividades diversificadas é importante e deve ser considerada uma estratégia eficaz. Trabalhos em grupos ou em duplas ajudam a quebrar a rotina e fortalecem a necessidade de interação, entre os pares. Variar a arrumação das carteiras escolares é uma atitude simples, que também traz benefícios. Atividades em laboratórios também são fundamentais para criar um clima de ensino e pesquisa, que privilegiam os diferentes ritmos. Visitas técnicas,  palestras com profissionais de diferentes áreas, exibição de filmes, gincanas, exposições de trabalhos, criação de Feiras de Ciências, Festivais de Poesia e Música podem amenizar a rotina, favorecer diferentes ritmos dos alunos e possibilitar diferentes formas de aprendizagem.

3.    Como a família pode contribuir para um melhor rendimento do aluno em sala de aula?
R: Embora a família seja uma instituição social milenar, percebe-la como integrante do processo de aprendizagem escolar de crianças e jovens é um fenômeno novo, que demanda aceitação, diálogo e muito estudo. Por um lado, as escolas fantasiam com tipos de famílias e participação destas famílias, que não existem ou, na maioria não existem dentro do contexto social contemporâneo. Isso faz com que deixem de fora a maioria das pessoas que podem contribuir com o processo de aprendizagem dos alunos, durante o período escolar. Por outro lado às famílias, por vezes, sobrecarregadas com a rotina dura de sobrevivência, acomodam-se e se omitem na tarefa de educar, ao lado da escola.  As famílias podem ajudar no processo de ensino aprendizagem escolar percebendo-se como co  participantes desta jornada. Desta forma, acompanhar atividades escolares dos filhos, participar efetivamente das reuniões da escola, verificar agendas e solicitações escolares, criar rotina de estudo para os filhos, fortalecer o respeito pelos mestres e espaço escolar dentro de casa, conversar com professores sistematicamente na escola, conversar com os filhos sobre os resultados escolares e estabelecendo metas bimestrais podem melhorar   e fortalecer seu papel junto da escola, na construção de uma aprendizagem honesta e coletiva. Buscar engajamento nos projetos sociais da escola, organizar grupos de estudo com colegas de turma. Trabalhar a disciplina com quadros de horários são possibilidades de interação com a escola, que certamente renderão bons frutos.

4.    Quais atividades os professores podem realizar à turma para promover socialização?

R: Muitos teóricos da educação são categóricos em afirmar que a socialização é um processo mediante o qual uma pessoa adquire o conhecimento e a prontidão social, necessários para assumir o papel de sujeito, na organização a qual pertence. Sendo assim, é preciso que a escola, como instituição e o professor como agente social deste espaço, percebam-se como facilitador do processo de socialização dos alunos. Desta forma, promover atividades de socialização, torna-se essencial para diferentes aprendizagens discentes. Vejamos alguns exemplos: Organizar gincanas entre turmas, realizar visitas a museus, Planetários, empresas, ONG’s, organizar ciclo de palestra, na escola. Criar intervalos culturais com os alunos, elaborar festivais de poesias, eventos de tecnologia, mostras de cinema, criação de campanhas solidárias, estão entre as atividades que podem favorecer a socialização, pois, buscam estabelecer “link’s” com conteúdos estudados, ampliando a visão social destes conteúdos no cotidiano dos alunos e oportunizando a ampliação da visão de mundo entre eles.

5.    Quais são os resultados que o corpo discente recebe quando tem dos professores um bom planejamento de socialização? E o que muda na rotina do professor quando esses resultados são explanados?

R: Educação de forma plena e eficaz é o que desejamos para nossos discentes e o que buscamos em nossa profissão. Perceber que os alunos entenderam nossa proposta, verificar que estão engajados em projetos sociais, que se preocupam com o ambiente em que vivem e desejam mudanças sociais para todos é tal especial como receber um prêmio por nossa atuação, durante o processo de ensino aprendizagem daquele grupo. Para tal, é importante que a Escola elabore seu Projeto Político Pedagógico de forma conjunta e honesta. Que trace uma proposta pedagógica que seja capaz de inserir o novo no seu contexto carregado de conteúdos e dilemas. Ao professor caberá a elaboração de Planos de Ensino viáveis, conectados com a sociedade, dinâmico, capaz de suscitar a participação de todos e de cada um. Voltar aos bancos escolares, buscar especializações, conhecer lugares, ler mais, buscar ajuda do seu “par mais forte”, também será necessário. Num mundo cada vez mais individualizado e competitivo, caminhar na contramão, fazer nosso alunado se perceber parte desde mundão é tarefa docente das mais complexas, que exigirá apoio institucional e familiar, nos moldes já mencionados nesta entrevista. Se desejarmos fazer parte do novo, teremos que planejar este momento, trabalhar por ele e mudar nossa maneira de ver e estar no mundo e modificar nossas ações no cotidiano da  escola. Afinal, como disse nossa eterna Elis Regina, o novo sempre vem! Eu completo: Tomara que possamos fazer parte dele!



*Denise Tinoco é Professora de educação infantil, Professora universitária e Pedagoga, Especialista em Educação Infantil e Psicopedagogia. E-mail para contato:  denise.tinoco@bol.com.br





quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A HORA DO MATERIAL ESCOLAR

A HORA DO MATERIAL ESCOLA.

                                                                                                                                       Por Denise Tinoco

       Todo início de ano é hora de organizar a vida dos filhos em idade escolar. Além de atender às exigências dos pequenos nos quesitos mochilas com personagens de desenhos e filmes da moda, os pais precisam encarar as extensas listas de materiais solicitados pelas instituições de ensino.
      Para enfrentar esta árdua jornada preciosas dicas: não levem os pequenos às papelarias; organizem grupos para compra de materiais por atacado, buscando os descontos concedidos pelas lojas. Outra medida interessante é a troca de livros entre os alunos da mesma escola ou a busca por livros usados, em sebos especializados. Nesses locais é possível encontrar bons títulos.
      No entanto, para dar conta das listas escolares é preciso muita atenção e vontade de fazer diferente. Neste sentido, duas leis brasileiras visam a auxiliar na contenção desses abusos cometidos pelas escolas. A primeira foi em 1999, a Lei 9. 870, que normatizou os valores das anuidades escolares e trouxe outras providências. Em 2013, uma segunda lei versou sobre o assunto. De forma complementar, a Lei número 12. 886 desobrigou o contratante de pagamentos adicionais ou fornecimento de qualquer material escolar de uso coletivo.
      Examinando algumas listas de materiais escolares, já em 2015, encontrei muitos objetos que são de uso coletivo: lixas, envelopes, fita para impressora, caneta para lousa, palito de churrasco, papel higiênico, cordão, creme dental, fantoches, esponjas, dentre outros. Os maiores abusos são cometidos na educação infantil, mas é comum encontrarmos taxas extras também no ensino Fundamental.
      Educadores, pais e donos de instituições de ensino devem rever a forma de encarar o cotidiano escolar. Buscar uma educação mais sustentável, simples e eficaz é uma meta que deve passar pelas listas. Espero que estes materiais, excluídos, não recaiam na conta dos professores, já tão explorados no dia a dia. Enfim, os abusos continuarão e exigirão fiscalização. É hora das compras conscientes e denúncia de quem se sentir lesado.



Publicado no Jornal O  Dia  em  22/01/2015.