terça-feira, 10 de março de 2015

Vai passar! Será? Algumas palavras sobre o Bullying escolar.

Todo início de ano letivo vivenciamos velhos problemas nas redes públicas e privadas do nosso país. A indisciplina, a fragilidade das propostas pedagógicas, falta de professores, a falta disso e daquilo trazem um tom desafiador para todos que vivem desta profissão. Porém, no mundo das relações, nada tão preocupante, quanto os episódios de indisciplina e violência ocorridos no interior da escola. Demostrando comportamento agressivo, que por vezes são manifestados verbalmente, como também, com gestos, socos, ponta pés, puxões de cabelo, dentre outras aberrações do gênero, o bullying (termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica praticadas por alguém contra outra pessoa.) se manifesta nas salas de aula, nos pátios e nas quadras das diferentes instituições escolares. Neste contexto, vemos crianças contra crianças, professores contra alunos, alunos contra professores, pais contra professores e por aí vai. A violência ganhou proporções consideráveis nos últimos anos, podemos evidenciar situações sociais diversas, onde destacamos as desigualdades sociais, a falta de aceitação dos novos arranjos familiares, a inversão de valores e falta de tolerância com o diferente de nós. Na escola podemos somar à estas questões, os modelos disciplinares ultrapassados, individualistas e manipuladores que muitos reproduzem no seu cotidiano. Diante de tais constatações o Bullying tornou-se uma forma de violência comum e por vezes, de forma errada, aceitável, dentro das escolas. Mesmo sabendo que é errado, ainda vemos apelidos vexatórios, piadas constrangedoras e ações que conflitam com o papel formador e transformador que a escola deveria exercer na sociedade. Estas manifestações de violência que ocorrem no interior das escolas precisam ser tratadas e banidas do nosso convívio. As  instituições escolares precisam ser vistas e repensadas como espaços coletivos onde habilidades e ações educativas positivas ganhem vez e voz! Escolas são espaços para crescimento cognitivo, afetivo e também relacional. Partindo desta premissa, existem várias frentes que precisam ser abertas e fortalecidas e destacamos algumas: Formação continuada para os profissionais da educação, a aceitação e co-participação positiva das diferentes famílias, desenvolvimento de projetos sociais que envolvam os diferentes atores sociais da instituição com a comunidade, além da gestão escolar consciente e democrática. Na atualidade o Bullying é crime, desta forma precisa ser, também, combatido com conscientização legal e com aplicação de punições possíveis. Vai passar! Será? Só o tempo, a mudança nas relações, o conhecimento, a aplicação das leis e a forma de cada um pensar e agir na sociedade poderão nos levar aos novos tempos!


PUBLICAÇÃO NA REVISTA EDUCAÇÃO INFANTIL- MARÇO 2015

MUITO FELIZ!!!! Viva! Mais uma publicação acadêmica(março, 2015)!!!!! Fui desafiada a escrever sobre um educador que tenha influenciado minha identidade profissional. Tarefa executada com muita alegria!!! Foi uma maravilha revisitar a vida e a obra de Célestin Freinet e ainda contar como ele está presente no meu saber fazer docente! Beijos!!!!

sábado, 7 de março de 2015

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!





ESSA VERDADE PRECISA SER DITA E DEBATIDA: Em pleno século 21 ainda vemos preconceitos contra as mulheres, seja em nações extremistas, em comunidades isoladas ou na selva de pedra. A mulher ainda é discriminada, no serviço, na igreja e muitas vezes, em casa onde isso acontece de forma silenciosa e cruel. Também percebemos que aos poucos esse quadro vem mudando, mulheres estão conquistando seu lugar na sociedade, acreditando em seu potencial e acreditamos que um dia todos viveremos num mundo de igualdades entre os gêneros ou seria respeito às diferenças? FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER! Beijinhos!



terça-feira, 3 de março de 2015

UM OLHAR SOBRE O PENSAR E O FAZER DOCENTE NA UNIVERSIDADE.

O ensino pós-modernidade vive grandes revoluções. Os caminhos das ciências também foram modificados e novas formas de lidar com as teorizações apareceram. São novas linguagens e possibilidades que nos obrigam a repensar práticas pedagógicas da educação infantil ao ensino superior. E se por um lado percebemos a que novas técnicas e tecnologias assumem um papel de destaque, por outro, percebe-se uma crise que se traduz na ruptura do modo de agir no cotidiano de muitas pessoas e ainda na necessidade de respeitar a diversidade, as diferenças, nas heterogeneidades e as desigualdades de oportunidades. Neste contexto, compreender os processos educacionais seja dos sistemas de ensino, seja nas escolas ou nas salas de aula constituem desafios constantes para qualquer estudioso da educação. No que tange a educação escolar nas salas de aula trata-se de perceber que todos os acontecimentos atuais afetam sua dinâmica de inúmeras formas. Observa-se no cotidiano universitário, que muitos professores repetem práticas ao longo dos anos e esquecem de rever suas estratégias de ensino. Dão pouca importância à didática e a prática reflexiva. Soma-se a isso, a entrada nesse mercado de profissionais que, por vezes, desconhecem os diferentes modos de ensinar e aprender. São altamente competentes no saber específico de suas disciplinas ou profissionais de excelência em sua área, mas que não possuem formação pedagógica e também não percebem sua importância no meio acadêmico. É mister que estes profissionais voltem a estudar e buscar uma formação pedagógica de qualidade. Com base em diversas teorias é importante frisar que a docência universitária precisa ser vista de forma abrangente e ser percebida como uma prática complexa que exige leituras culturais, políticas e pedagógicas respeitando os contextos vividos, os sujeitos envolvidos e os objetivos do ensino. É preciso considerar ainda que para trabalhar na docência superior, nestes novos tempos, não basta saber sobre o conteúdo. Trata-se de buscar envolver os alunos no mundo da pesquisa, da descoberta, da atividade de campo, das partilhas e disseminação dos saberes com a comunidade educativa. Entender que conteúdos são diferentes e precisam ser ensinados de forma diferentes. Assim, conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais estabelecem diferentes possibilidades de interações com os estudantes. Une-se a isso a necessidade ensinar como estudar, como aprender, como questionar, como lidar com o outro e com os limites e possibilidades de cada um.  De forma prática, ensinar na universidade vai requerer do professor desejo de (re)aprender. Buscar novas práticas, novas ações que o remetam a novas reflexões e, por conseguinte outras ações. Num processo dialético de busca, procura e aprendizagens. Finalizando, cabe a ideia do inacabado, do imperfeito e da procura atenta e sincera pela transformação. Para além dos limites que nos impedem existe a possibilidade de mudança impulsionada pelo desejo, pela vontade e acima de tudo pela necessidade de fazer diferente neste universo de constantes transformações. Mudar é possível e fortalece a esperança de uma educação de qualidade, de alma, de conhecimento e diferentes ações. 

          Denise Tinoco (Pedagoga e Professora Universitária)
                       Texto publicado no Jornal Folha da Manhã/Caderno Dois em 10 de setembro de 2014



terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

 RUA DE LAZER: Um espaço lúdico em prol do desenvolvimento infantil.
 A IDEIA NÃO É NOVA E O CONCEITO NÃO É MEU, MAS SE VOCÊ ERA CRIANÇA NA DÉCADA DE 70 E 80, COM CERTEZA BRINCOU NUMA DESTAS RUAS EM SUA CIDADE!

           Nunca fui magrinha, Nunca! Que fique claro, também, que na minha casa só tinha refrigerante em dia de festa. Doce era de vez em quando e a comida era feita de forma simples e pouco condimentada. Durante minha infância fiz muitas atividades coletivas e algumas custeadas pelo poder público, pois eram oferecidos à população infantil em minha cidade. Por isso, fiz natação, brinquei de bola, andei de bicicleta, joguei queimada, pique bandeira e pique pega. Cantei em muitas rodas, com brinquedos cantados e cantigas “do tempo do onça”.  Fiz teatro infantil no Palácio da Cultura e, por lá, também, tive aula de pintura.
             Diferente desta época, o que vemos hoje são governantes de muitas cidades que investem pouco no lazer das crianças e dos jovens. Como consequência percebemos crianças e jovens com poucas habilidades sociais, por vezes com pouco domínio de oratória e raciocínio lógico ou, ainda, sem respeito à diversidade. Sendo comum, neste contexto, encontrarmos crianças e jovens envolvidos em confusão (desde bem novinhos!).
              Concomitante a esta situação, vivemos em um tempo que crianças vivem grudadinhas em smartphones, tablet's, TV. Onde o sedentarismo já modificou o seu corpo e os pequenos sofrem com a obesidade infantil. Soma-se a esta questão, o pouco investimento das escolas públicas e privadas em espaços coletivos e lúdicos e que, também, não organizam atividades recreativas e coletivas em seu cotidiano. Cantinas escolares e restaurantes também são os vilões desta garotada. Não podemos esquecer a omissão familiar. Adultos, cada vez mais desconectados do mundo infantil, oferecem comida pronta congelada ou produtos condimentados e artificiais como primeira opção para seus filhos. E assim, cada vez mais apressados e distantes da educação integral dos pequenos, os adultos os confortam com doces, chocolates, batatas frita e muita ausência, falta de disciplina e amor.
              O sono também ganha destaque nesta reflexão, pois encontramos crianças que dormem à meia noite (ou mais tarde ainda) e não conseguem levantar cedo.
           Diante de tudo que foi exposto, acreditando que a brincadeira é uma linguagem universal capaz de interferir positivamente na promoção do desenvolvimento infantil, vale a pena a reflexão: Por onde brincam nossas crianças? Com quem brincam nossas crianças? De que brincam nossas crianças? Faltam parques, espaços abertos e seguros, pessoas para monitorarem as brincadeiras. Faltam, ainda, materiais e tempo para que isso tudo aconteça.
               Em diferentes lugares do Brasil, poder público e sociedade civil  começaram a repensar esta situação. Organizam “Ruas de lazer”. Estes espaços estão reaparecendo como atividade social, de responsabilidade pública, onde o poder público municipal e sociedade civil organizam o espaço, com a ajuda de Associações, fundações, empresários, sindicatos e da polícia militar. Disponibilizam profissionais, materiais e providenciam a segurança e mobilizam a população do bairro ou daquela rua.  Por lá, as crianças se encontram mediadas por professores de educação física, recreadores, animadores culturais e professores de arte. São convidadas a brincar com argila, tintas, corda, jogar bola, xadrez, botão, queimada, piques diversos. Por um tempo determinado, trabalham em grupo, constroem regras, brincam de roda e disseminam a cultura popular. Neste espaço se encontram e se reconhecem na ludicidade!
             Assim, num curto espaço de tempo perceberemos que as crianças estarão se movimentando mais, brincando mais e buscarão integração. Em longo prazo todos sairemos vencedores! Teremos sistematizado a prevenção de doenças, combate a obesidade e ao sedentarismo infantil. Bem como, ajudaremos a formar uma geração mais dinâmica, amável e tolerante!